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Éder Azevedo |
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O velório de André Rocha aconteceu na casa onde morava com a mãe, no Jardim Vitória |
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) investigará se houve erro na conduta do médico plantonista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga, onde morreu André Luiz da Silva Rocha, 33 anos, depois de se alterar e receber um sedativo anteontem à tarde. A família da vítima de morte suspeita afirmou que entrará com processo contra o médico (leia mais abaixo).
O conselheiro regional do Cremesp, Carlos Alberto Monte Gobbo, explicou que, em casos como este, em que a conduta médica é questionada, o conselho instaura uma sindicância, mesmo sem pedido oficial da Polícia Civil.
“Sempre que há um fato público que esteja relacionado com a ação médica, nós abrimos uma sindicância. A Polícia Civil nem precisa nos acionar. Geralmente eles enviam ofício, mas nós não esperamos. Quando recebemos a notícia, já comunicamos em São Paulo para abrir sindicância”.
O processo é moroso. Todos os envolvidos no caso serão ouvidos novamente e a ficha de atendimento do paciente será analisada. Se houver algum ilícito ético, é aberto processo disciplinar, que pode culminar em desde uma advertência até na cassação do registro médico, dependendo da gravidade do caso.
Medicação
Conforme noticiado pelo JC ontem, Rocha deu entrada na UPA queixando-se de dor de dente. Recebeu uma medicação e foi liberado. No entanto, ele pediu à assistente social um passe de ônibus, que lhe foi negado. Nervoso, ele teria se alterado e agredido a funcionária da UPA, que passou por exame médico, onde lesões foram constatadas em sua perna e face.
A alteração de Rocha e a agressão à assistente social fizeram com que o segurança da unidade contivesse o paciente. Ambos entraram em luta corporal, mas como estava agressivo, o médico plantonista resolveu sedá-lo com a medicação Midazolam 15 miligramas. Segundo o laudo preliminar do médico legista, esse sedativo pode ter interagido com os medicamentos que tomava, já que possuía problemas psicológicos.
“Não me pareceu nenhum fato anormal com relação à medicação. Ele estava alterado e precisou ser sedado. Normalmente, em todos os pacientes que são agressivos e agitados a atuação médica é sempre de sedar e esperar que ele acorde melhor. A informação que temos das outras unidades que ele frequenta é que ele é muito agressivo, fala muito alto, grita, até intimida as pessoas”, ponderou Luiz Antonio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município.
O passe
De acordo com o relato dos funcionários da UPA, testemunhas e a própria família, o ponto da discórdia foi o passe de ônibus, que André Luiz da Silva Rocha pediu à assistente social.
O irmão dele, Jarildo Carlos Alves, afirmou ao JC que ele recebia esse vale transporte e fazia a retirada ali mesmo, na UPA Ipiranga. Em nota, a prefeitura afirmou que o passe era cedido para que Rocha fosse até o Caps AD, onde fazia tratamento.
Família afirma que abrirá processo contra médico
O clima era de revolta no velório de André Luiz da Silva Rocha, que aconteceu na casa onde morava com a mãe, no Jardim Vitória. O irmão da vítima, Jarildo Carlos Alves, 42 anos, afirmou que vai processar o médico.
“A nossa vida vale um passe. É um absurdo. Eu consegui conversar com uma senhora que estava na UPA no momento em que tudo aconteceu e ela disse que o meu irmão pedia para não receber o medicamento, porque já tomava tarja preta por conta dos seus problemas psicológicos. O médico está ali para salvar vidas e faz isso. Vou processar ele e quem mais for responsável pela morte do meu irmão”, disse Jarildo, consternado.
Entregador de água, Rocha, segundo amigos e vizinhos, não era agressivo, apesar dos problemas psicológicos que sofria. “Eu nunca vi ele bravo ou descontrolado por qualquer motivo. Sempre passava no meu trailer de lanches ele conversava comigo”, contou a vizinha Célia Maria Moura Bragaia, 65 anos.
A mãe da vítima, Maria da Conceição Alves Rocha, não saiu do lado do caixão. Quase sem palavras, disse apenas que esperava a justiça divina. “Isso que eles fizeram para mim e para o meu filho está sendo visto por Deus”.
O corpo de Rocha foi velado até as 16h de ontem e às 16h30 foi sepultado no Cemitério do Jardim Redentor. Neste sábado, às 8h, a família da vítima se reunirá pacificamente em frente à UPA Ipiranga para promover uma manifestação.