O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) declarou em entrevista coletiva ontem que o Estado paulista vai processar a multinacional alemã Siemens por formação de cartel. “Hoje (ontem) estamos anunciando o início do processo. Nós vamos fazer um processo contra a empresa Siemens pela lesão aos cofres públicos e ao Estado de São Paulo, exigindo a indenização de toda a lesão”, disse. “Ela (a companhia) não escapará do Tribunal de São Paulo”, acrescentou.
Apesar disso, Alckmin afirmou que os contratos atuais com a Siemens estão mantidos.
O caso envolvendo a empresa já se arrasta desde julho, quando foi revelado que a empresa alemã delatou um cartel do qual fazia parte, - envolvendo o fornecimento de equipamentos para metrôs e trens em São Paulo e no Distrito Federal - a autoridades antitruste.
O governo de São Paulo finalmente teve acesso, por ordem judicial, aos documentos relativos a apuração contra as companhias que operam o metrô.
A investigação vem sendo feita pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com “diários” que a multinacional alemã Siemens entregou às autoridades. Lá estão registrados as negociações da empresa com representantes do Estado, indicando que o governo paulista teve conhecimento e avalizou a formação de um cartel para a licitação da linha 5 do Metrô de São Paulo. Os casos relatados vão de 1998 a 2008.
Na denúncia, a Siemens aponta que as empresas Alstom (França), Bombardier (Canadá), Mitsui (Japão) e CAF (Espanha) eram as que operavam em cartel no País.
Alckmin já havia criticado a necessidade de ir à Justiça para ganhar acesso aos arquivos que estão sendo investigados. O suposto esquema de corrupção teria envolvido as últimas três gestões do governo de São Paulo - Mário Covas, José Serra e o próprio Alckmin -, todas do PSDB.
Hoje, estão previstas em São Paulo manifestações de sindicalistas e do Movimento Passe Livre (MPL) por causa dos problemas do metrô.