09 de julho de 2026
Articulistas

Catolicismo em alta

Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril
| Tempo de leitura: 3 min

Quem possui mais de 50 anos de idade, pertence ao sexo masculino, filho de pais católicos e recebeu no batismo o nome Donizetti, conta com grande chance de seu nome ter sido escolhido para homenagear o padre Donizetti, pároco da cidade de Tambaú, da região de Ribeirão Preto, falecido em 1961 com as honras de ser considerado pelos devotos como instrumento designado pelo Divino para distribuir o evangelho na sua igreja, praticar curas nos enfermos e alívios nas dores dos padecentes, cumprindo a missão recebida de Jesus por seus apóstolos.

Joelmir Betting, em pesquisa que realizou no Tribunal Regional Eleitoral, encontrou 2 milhões de eleitores denominados Donizetti (ou Donizete). Confrontou esse número com outro resultado se convencendo que anteriormente aos anos 54/55 (auge da fama do padre Donizetti), esse nome pouco agradava o gosto do brasileiro. Concluiu que a notoriedade do sacerdote elevou seu nome de origem italiana para a lista dos mais populares. Naqueles anos, a cidade de Tambaú contava com 7 mil habitantes, mas recebia nos finais de semana em torno de 200 mil romeiros de todo o país, nascendo um fato que provocou a interferência do Governo do Estado de S. Paulo junto à Diocese de Ribeirão Preto ao pedir que encontrasse uma forma de organização dos fiéis de modo a evitar problemas de saúde pública, pelo acúmulo de tanta gente em contraste com a falta de estrutura da cidade para acomodá-las. Há no cartório de notas de Tambaú o registro de 1.200 declarações de fiéis descrevendo a graça recebida do sacerdote. Esse impressionante fenômeno foi recebido pela Diocese, independente de confirmação pelo Vaticano, como números superiores aos milagres realizados pelos santos canonizados. Falecido em 1961, vem tramitando no Vaticano processo de beatificação do padre Donizetti com o encerramento da fase diocesana orientadas por provas aceitas pela cúria romana.

Muitos anos se passaram desde a morte do padre Donizetti sem o registro de sucessor da igreja católica agraciado dos mesmos poderes espirituais que lhe deram a fama de obter milagres, curando pessoas portadores de doenças que a ciência não foi capaz de dar solução.

Há pouco mais de 10 anos, vem se projetando entre os católicos as bênçãos concedidas nas missas celebradas na cidade de Dourado, região de S. Carlos, pelo padre José Antonio. A reputação de alcançar curas em fiéis que o procuram com o coração purificado e aberto aos princípios cristãos, irradiou em muitas cidades do Estado de S. Paulo, forçando a transferência da missa das bênçãos, da Igreja de S. João Batista para um maior espaço encontrado numa creche abrigando 260 menores, a qual o sacerdote dirige junto a dedicados voluntários. A missa das bênçãos passou a ser vespertina reunindo centenas de pessoas, geralmente aflitas, a procura de resposta a problemas que não conseguem encontrar no mundo da materialidade. Ela se afasta um pouco da tradicional missa da igreja católica quando o exorcismo é praticado para libertar a alma dos maus espíritos, encerrando-se com depoimentos de pessoas predominantemente humildes relatando acontecimentos comoventes brotados da fé e da benção recebida do sacerdote. No último dia 10, o padre José Antonio esteve na Sociedade Hípica de Bauru, abençoando individualmente cerca de 250 pessoas, cerimônia iniciada as 12 horas que se prolongou ao anoitecer.

Os católicos do mundo estão eufóricos com o Papa Francisco, modelado bem ao gosto popular, e os admiradores do padre José Antonio, duplamente satisfeitos com a nova cara mostrada na celebração da missa, ajudando a igreja católica a recuperar as ovelhas desgarradas do imenso rebanho.

O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril, professor universitário, aposentado