O ganhador do Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei apresentou ontem sua renúncia ao cargo de vice-presidente do Egito. A saída de um dos líderes da retirada do presidente Mohammed Mursi, em julho, acontece após a violência durante a operação que desmontou acampamentos de islamitas.
Em carta-renúncia enviada ao presidente interino, Adly Mansour, ElBaradei disse que “os beneficiários do que aconteceu hoje (ontem) são aqueles que pedem por violência, terrorismo e os grupos mais extremistas”.
“Como você sabe, eu acreditava que havia maneiras pacíficas de encerrar este confronto na sociedade, havia soluções propostas e aceitáveis que nos levariam ao consenso nacional”, escreveu.
“Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais eu não concordo e cujas consequências eu temo. Não posso carregar a responsabilidade por um derramamento de sangue”.
ElBaradei assumiu o cargo em 14 de julho, após convite do chefe militar Abdel Fattah al-Sisi. Um dos principais líderes da Frente de Salvação Nacional, foi opositor do presidente Mohammed Mursi. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2005, por seu período como chefe da Agência Internacional de Energia Atômica.
Emergência
O pedido de renúncia acontece horas depois de o governo interino egípcio ter decretado estado de emergência por um mês em todo o país e toque de recolher em dez Províncias, incluindo a capital Cairo.
A partir desta quarta, moradores dessas regiões deverão estar em casa às 19h e só poderão sair às 6h (14h de hoje à 1h de hoje em Brasília).