08 de julho de 2026
Nacional

Manifestações acabam em confrontos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Com adesão bem menor que os protestos de junho, dois protestos contra o cartel do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) terminaram em confronto. A Polícia Militar de São Paulo reagiu a manifestantes na Câmara Municipal, no centro, e na Assembleia Legislativa, na zona sul.

Antes do tumulto, por volta das 16h30, o Datafolha calculou em cerca de 3 mil o total de manifestantes no vale do Anhangabaú. No protesto de 20 de junho, houve 110 mil na avenida Paulista.

Iniciadas no meio da tarde, as manifestações com críticas ao governo Alckmin e a outras gestões tucanas no Estado de São Paulo não tiveram grandes incidentes até as 19h, quando um grupo tentou entrar na Câmara Municipal, no centro, depois que ao menos 55 manifestantes tiveram acesso ao prédio.

Parte deles se dirigiu ao plenário e outros foram para o 8.º andar. Lá, discutiram com o presidente da Câmara, vereador José Américo (PT), reivindicando o passe livre no transporte urbano municipal.

Os manifestantes deram um “cavalo de pau ideológico”, segundo José Américo: “Não entendi. Começou com um ato contra o sobrepreço das licitações do metrô e agora voltaram a atacar a prefeitura”. Foi marcada uma audiência pública sobre o tema transportes para o dia 22.

Impedido por policiais, o grupo que ficou do lado de fora atirou pedras e bombas de festa junina. Um vidro da entrada da Câmara foi estilhaçado. Tapumes foram destruídos. A PM reagiu com bombas de gás. Havia cerca de 300 pessoas no local, segundo estimativa da reportagem.

Houve dois jovens detidos, encaminhados para o 1.º Distrito Policial. De acordo com a PM, houve pelo menos quatro feridos, três policiais e um cinegrafista, atingidos por pedradas.

Lojas e agências bancárias na região da Liberdade, bairro próximo à Câmara, foram danificadas e também houve pichações. Nina Capello, ativista do Movimento Passe Livre, disse que o MPL não participou do ato na Câmara. “O propósito era outro.”

Assembleia

Na Assembleia Legislativa, a concentração de manifestantes ligados a sindicatos, movimentos sociais e partidos mais à esquerda ocorreu no fim da tarde. Houve a autorização para que cerca de 650 manifestantes entrassem e ficassem em galerias e plenários da Casa.

Manifestantes investiram contra grades de proteção, tentaram forçar a entrada no prédio e foram impedidos pela PM, que utilizou cinco bombas, afirmou o comandante da operação, major Sérgio Watanabe.

Três pessoas foram atendidas no serviço médico da Assembleia. Ednalva Franco, militante do movimento de moradia e filiada ao PT, disse ter levado um tiro de borracha na perna. Watanabe negou o uso do armamento e diz que ela pode ter sido atingida por partes de bombas de efeito moral.

No plenário, o deputado Campos Machado (PTB) criticou os manifestantes nas galerias, dizendo ter sido levados pelo PT, para tumultuar a discussão sobre proposta de emenda constitucional que limita o poder de investigação do Ministério Público. Telma de Souza, João Paulo Rillo (os dois do PT) e Fernando Capez (PSDB) defenderam os manifestantes.