O Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece a divisão do atendimento prestado nos serviços de saúde baseada na complexidade dos pacientes. Dessa forma, pacientes saudáveis ou com doenças crônicas devem ter acompanhamento regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Quando necessário, devem ser encaminhados a serviços especializados e de maior complexidade. Somente em casos de emergências e urgências os pacientes devem procurar serviços de atendimento imediato ? UPAS e Pronto Socorro (PS).
No entanto, isso não acontece na prática, pois muitos pacientes que procuram o serviço de emergência buscam uma solução imediata e definitiva para suas demandas crônicas, alguns procuram por falta de tempo para consultas de rotina, outros desejam realizar uma rápida avaliação para descartar qualquer patologia. Para minimizar a demora nas filas de emergência e diminuir o número de reclamações, é importante compreender quais os casos em que se deve procurar o PS ou quando o paciente pode receber atendimento na unidade de saúde mais próxima de sua casa.
Acredito que o desconhecimento da população acerca dessa sistematização é potencializado pelas condições ainda deficitárias apresentadas pelos serviços da Atenção Básica. Muitos que procuram as UBS não encontram médicos para serem atendidos ou não conseguem serem agendados. O que leva esses pacientes a procurarem os serviços de PS para suprir suas necessidades. Por atenderem com "portas abertas", ou seja, todos os que buscam assistência são atendidos, independente das condições em que se encontrem os serviços e do município em que residem.
Diariamente os profissionais de saúde lutam pela vida correndo contra o tempo no PS de Bauru o maior da região. Destaco que um PS é um setor com uma dinamicidade específica, considerando suas características inerentes ao acesso irrestrito, à gravidade dos pacientes no quadro inicial, tendo-se pacientes críticos ao lado de pacientes mais estáveis, a sobrecarga da equipe de enfermagem (heroica) e a falta de valorização desses profissionais. Suas rotinas, aliadas à grande demanda de pacientes e à problemática do sistema de saúde como um todo, tornam o trabalho extenuante e elevam o nível de "stress", pois, lidam diariamente com a morte, sendo que algumas são simplesmente inevitáveis. Contudo, não hesito em dizer que, se um dia sofrer um acidente, quero ser levada para lá, para o PS.
Os serviços de urgência e emergência, como a Atenção Básica por sua vez também sofrem com a falta de recursos humanos e materiais, com estruturas físicas não mais condizentes com a realidade enfrentada. Filas e espera por consultas e agendamentos, até mesmo mortes existem também nos hospitais conveniados e particulares, do nosso município, porém não é divulgado.
Não é o profissional do Posto de Saúde, PS, AME ou HEB que nega ou cria as vagas para especialidades e internação. Não adianta agredir, espancar e ameaçar. Bauru tem tantos hospitais e porque não há vagas?? Bauru não tem nenhum hospital, os hospitais são do Estado que regula as vagas para 68 municípios da nossa região.
Enquanto profissionais de saúde realizamos nosso trabalho o melhor possível, com amor e com dedicação. Antes de criticarem, trabalhe um dia, com as nossas reais condições. Seja enfermeiro (ou mágico) sem equipe de enfermagem, sem médicos, sem exames e sem remédios. Entenderão que não estamos felizes com a situação e que não depende de nós, não é em nosso salário que está o desvio do dinheiro público. Acham que quem recebe propina ou desvia verbas públicas coloca na folha de pagamento?
Cássia Marques da Rocha - enfermeira ? Coren SP 144245