É completamente temerário, para não dizer leviano, estabelecer previamente uma relação direta de causa e efeito entre óbitos registrados no Pronto-Socorro Municipal de Bauru e a espera por internação em leitos clínicos de hospitais ou de UTI. É preciso, antes de mais nada, verificar em que condições cada paciente chegou no PS, a idade de cada um deles, a gravidade de cada caso, o histórico médico de cada um, se o quadro clínico se complicou de forma súbita na observação da emergência e se a equipe médica que primeiro triou o paciente fez avaliações corretas e adotou os procedimentos necessários para tentar reverter a situação, entre outros fatores.
O Departamento Regional de Saúde desconhece os critérios e métodos utilizados no levantamento feito pelo Pronto-Socorro Municipal de Bauru, apresentado ao Ministério Público Federal, e se coloca à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. Não é de hoje, no entanto, que o Pronto-Socorro Municipal de Bauru sofre de crônica ineficiência na resolução de casos que, em tese, não precisariam de internação em leitos hospitalares. Desta forma, pacientes com quadros menos graves acabam ocupando leitos daqueles que mais precisam, sobrecarregando o Hospital Estadual e também o HB.
A boa resolutividade da rede básica municipal de saúde, por meio de seus prontos-socorros e postos de saúde, é fundamental para evitar que pacientes com quadros de saúde mais simples sejam encaminhados a hospitais especializados, como o HE.
Também é notória a falta de investimentos por parte da Prefeitura de Bauru na ampliação da assistência hospitalar na cidade. Enquanto outros municípios que são sedes de Departamentos Regionais de Saúde possuem hospitais próprios ou contratados, como Santos, Campinas, Ribeirão Preto e Sorocaba, o município de Bauru nunca se comprometeu em oferecer esta assistência à sua população.
É preciso deixar claro para os leitores do Jornal da Cidade que a participação do governo do Estado na saúde pública de Bauru é relevante e consistente. O Estado custeia sozinho, sem contrapartida federal ou municipal, três hospitais e uma maternidade em Bauru, sem contar o AME (Ambulatório Médico de Especialidades).
Recentemente, a Secretaria de Estado da Saúde assumiu o Hospital de Base, vem promovendo a ampliação dos leitos da unidade e garantiu R$ 395 milhões para o atendimento à população nos próximos cinco anos.
No total, o Estado custeia, com recursos do tesouro estadual, 727 leitos em Bauru, enquanto o município, apenas 13.
Secretaria de Estado da Saúde