09 de julho de 2026
Internacional

Irmandade convoca novos protestos no Egito; mortos chegam a 525

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A Irmandade Muçulmana convocou, nesta quinta-feira (15), novos protestos contra o governo interino do Egito, um dia após o massacre durante a retirada de dois acampamentos da entidade no Cairo. Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 525 pessoas morreram e outras 3.717 ficaram feridas.

Na ofensiva de ontem, houve confrontos violentos em diversas partes do Egito, em especial na capital, onde foram desalojadas as duas ocupações feitas pelos islamitas desde 3 de julho, quando o presidente Mohammed Mursi foi deposto após uma ação militar.

Aly Hazzaa/Associated Press

Carro da polícia é empurrado de cima da ponte por partidários de Mursi 

O movimento muçulmano considera que foi vítima de um golpe de Estado e se recusa a aceitar as exigências do governo interino, que é comandado por Adly Mansour e apoiado pelos militares. Desde a deposição, Mursi é mantido em uma instalação militar desconhecida, sem poder se comunicar com aliados e familiares.

A chamada de novos protestos foi feita através de um comunicado, em que a entidade pede a seus seguidores que se concentrem na mesquita de Al Iman, na capital. Não há informações de atos convocados para outras cidades egípcias, onde também ocorreram confrontos violentos.

Em um novo balanço, o Ministério da Saúde elevou para 525 o número de mortos e para 3.717 o número de feridos após o massacre durante a ofensiva policial de quarta-feira. Segundo o porta-voz da pasta, Mohamed Fathalah, 202 pessoas morreram na praça de Rabia al Adawiya, onde ficava o maior dos acampamentos.

A agência de notícias Reuters, no entanto, afirma que só na praça de Rabia al Adawiya foram encontrados 228 corpos, o que pode elevar a estimativa do governo. A Irmandade Muçulmana afirma que o número de mortos chegou a 2.000.

O número de mortos não pode ser confirmado de forma independente, em especial pela quantidade de locais diferentes para onde os restos mortais foram levados. Os confrontos de quarta foram os que tiveram o maior número de mortes no Egito desde a revolta que retirou o ditador Hosni Mubarak, em 2011.

O local só foi desalojado após um sangrento confronto, iniciado pela manhã e que terminou no início da noite, pouco antes do início do toque de recolher decretado pelas autoridades. O governo interino ainda determinou na quarta estado de emergência que se aplicará inicialmente por um mês.

Reações

Nesta quinta, a comunidade internacional continuou a reagir com preocupação e pressão ao governo interino por conta do massacre ocorrido na ocupação policial. O presidente da França, François Hollande, pediu o fim imediato do estado de emergência, em reunião com o embaixador egípcio em Paris.

Para o mandatário, todos os esforços devem ser feitos para evitar uma guerra civil. A Alemanha também chamou o embaixador egípcio para receber uma reclamação formal do ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle.

Já a Turquia, uma das primeiras a condenar o massacre, pediu que a crise política no Egito seja avaliada pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Para o chefe de governo Recep Tayyip Erdogan, os confrontos violentos egípcios são um desafio para a democracia no Ocidente.

A China também manifestou sua preocupação. No Vaticano, o papa Francisco disse que reza pelas vítimas da violência nas ruas egípcias e também pediu aos fiéis da Igreja Católica suas orações para que a paz e o diálogo sejam retomados.

Os cristãos foram os principais alvos da ira dos islamitas no interior do Egito, onde pelo menos quatro igrejas coptas foram atacadas. Em encontro com o papa copta, Tawadros 2º, o primeiro-ministro Hazem al Beblawi condenou a destruição dos templos, alguns deles incendiados por aliados de Mursi.

Devido às ações contra igrejas e delegacias, as autoridades de Suez acusaram 84 manifestantes da Província vinculados à Irmandade Muçulmana de homicídio e ódio religioso.