09 de julho de 2026
Internacional

Obama condena violência no Egito e cancela exercício militar conjunto

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente americano, Barack Obama, anunciou o cancelamento de exercícios militares entre EUA e Egito, previstos para o mês que vem, como reação à repressão violenta da junta militar que derrubou Mohammad Mursi, que matou ao menos 525 pessoas em apenas três dias nas ruas da capital egípcia, Cairo.


"Nossa tradicional cooperação não pode continuar enquanto civis estão sendo mortos", afirmou. A operação militar conjunta acontece a cada dois anos. "Ao povo egípcio, quero dizer que essa escalada de violência deve parar."

Reuters

Obama condena violência no Egito e cancela exercício militar conjunto

Ele não anunciou o cancelamento da ajuda financeira de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,45 bilhões) que os EUA enviam anualmente ao país, principalmente em armamento americano, mas indicou que "outros passos poderiam ser tomados" se a violência persistir.


O presidente não usou a palavra "golpe" para se referir à derrubada de Mursi em 3 de julho -pela lei americana, a ajuda financeira deveria ser interrompida após a ocorrência de um golpe.


Obama disse que espera esforços de "conciliação nacional" e que o respeito "às mulheres e minorias religiosas" se reestabeleça. Ele fez críticas a Mursi ("eleito democraticamente, mas que não fez um governo inclusivo") e que "milhões, talvez a maioria dos egípcios, queriam uma mudança de curso".


Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, ficou apenas um ano no poder, em uma gestão turbulenta, acusado de tentar oprimir minorias e liberdades civis.


Muitos militares atualmente no poder fizeram parte da longa ditadura de Hosni Mubarak (1981-2011), apoiada pelos Estados Unidos -vários generais egípcios são treinados em academias militares americanas.


Mohammed El-Baradei, prêmio Nobel da Paz, que aceitou ser vice-presidente do governo que sucedeu à derrubada de Mursi, renunciou diante da repressão.


O secretário de Estado americano, John Kerry, chegou a afirmar que os militares que derrubaram Mursi "estavam tentando restaurar a democracia". O comentário foi considerado uma gafe até na Casa Branca.


No final de seu pronunciamento, gravado em Martha's Vineyard, onde passa uma semana de férias, Obama pediu que egípcios, pró ou contra Mursi, não culpem os EUA pela situação no país. "São os próprios egípcios que precisam fazer essa mudança. Não há transição democrática que não leve anos e até mesmo algumas gerações."