Os partidários do presidente deposto do Egito, Mohammed Mursi, começam, nesta sexta-feira (16), uma série de protestos contra o governo interino do país, no que foi chamado "dia da fúria" pela Irmandade Muçulmana. Nas primeiras horas de protesto, pelo menos 17 pessoas morreram.
Na capital Cairo, onde está prevista a maior manifestação, houve tiroteios entre a polícia e manifestantes islâmicos em diversos pontos da cidade. Até o momento, quatro pessoas morreram em uma das praças do centro da cidade, enquanto um policial foi assassinado em uma emboscada em um bairro da periferia.
Em Damietta, na costa do Mediterrâneo, oito manifestantes morreram após confronto com a polícia, enquanto em Ismailya, são quatro manifestantes mortos.
Com as promessas das forças de segurança de reprimir tentativas de depredar edifícios governamentais, usando munição letal, é esperada para hoje uma nova onda de confrontos violentos no país. Eles prometem prometer o toque de recolher, estipulado por enquanto para a partir das 21h locais (às 16h, em Brasília).
Devem ser ao todo 28 marchas no Cairo. O grupo de ativistas Tamarod pediu, em rede nacional, que cidadãos tomem as ruas para proteger o povo egípcio dos manifestantes islamitas, em especial impedindo que se repitam os ataques a mesquitas e igrejas.
As Nações Unidas pediram que ambas as partes usem "máxima contenção", diante da perspectiva de ser deflagrada no Egito uma guerra civil. O massacre de quarta-feira está sendo considerado o dia mais violento na história moderna do Egito.
A crise política foi iniciada em 3 de julho, com a deposição do presidente islamita Mohammed Mursi, hoje detido em local desconhecido. Após milhões terem ido às ruas pedindo sua renúncia, diante do fiasco econômico, as Forças Armadas tomaram a si a tarefa de impor uma transição política no país.