O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que a cotação do dólar mudou de patamar (para cima), em função da reversão dos estímulos nos EUA e da piora da balança comercial brasileira. Mas, disse não acreditar em patamares elevados para a taxa de câmbio. No mercado, já há previsões de que o dólar possa chegar a R$ 2,70 até o fim do ano.
A avaliação do ministro é que o mercado cambial está volátil, e espera que o nervosismo se reduza quando o Fed (banco central dos EUA) definir a retirada de estímulos da economia americana. “Quando o Fed começar essa redução, talvez fique claro o que ele vai fazer, e o mercado se acalme. É um momento de volatilidade”, disse Mantega.
Segundo Mantega, o dólar mais caro veio para ficar. Mas indicou que não acredita em uma desvalorização mais forte do que já ocorreu. “Esse é o novo câmbio, agora onde ele vai ficar eu não sei”, disse. “Pode subir mais um pouquinho, descer mais pouquinho. O governo age para impedir que haja excessiva volatilidade. Portanto, não acredito nesses patamares elevados que estão sendo mencionados”.
A avaliação de Mantega é que a elevação da taxa de juros americana, no entanto, ainda vai demorar a ocorrer. A previsão do ministro é que isso ocorra “em 2014 ou mais”.
Mantega participou de reunião com empresários, organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.
Pessimismo
Mantega disse ainda que “não se justificam” as análises pessimistas da economia brasileira, e que as concessões de infraestrutura deverão dinamizar a atividade neste segundo semestre. “Não se justificam análises que não vamos crescer nada no segundo semestre e 1% no ano que vem. Não tem fundamento. Não só pelas análises que o governo faz, mas também das perspectivas que o setor privado faz”.
Depois de uma reunião de cerca uma hora e meia com empresários, organizada pela CNI, Mantega citou que os setores químico, automobilístico e de construção civil estão crescendo. “Podemos verificar que não só a economia cresceu razoavelmente bem no primeiro semestre, como poderá seguir trajetória semelhante no segundo”, afirmou.
Mantega enumerou que aeroportos estão sendo reformados e outros serão leiloados. Disse que, no setor elétrico, “estão havendo leilões a cada 15 dias” e que há duas importantes concessões a caminho, no setor de petróleo (áreas do pré-sal) e de rodovias.
O ministro passou a semana em São Paulo, onde se encontrou com empresários e banqueiros. Ontem, ele revelou que as conversas serviram para tentar estimular a participação do setor privado, inclusive dos bancos, das concessões. Mantega afirmou que o governo “gostaria” que os bancos privados participassem do financiamento das concessões.
Segundo Mantega, o câmbio mais elevado é favorável para a indústria. E a inflação mais moderada, de acordo com a sua previsão, deverá impulsionar o consumo das famílias.
R$ 14,2 milhões em 283 carros
Enquanto discutia novos cortes de gastos para aumentar o esforço fiscal do governo federal em 2013, o Ministério da Fazenda desembolsou R$ 14,2 milhões no primeiro semestre para renovar sua frota e comprar 283 carros novos.
Foram 165 Palios, 99 Doblòs, 19 Lineas, todos da marca Fiat, vencedora da licitação. Metade dos veículos foi para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, assessoria jurídica da Fazenda e órgão responsável por representar a União em discussões fiscais e tributárias. A outra metade foi distribuída às superintendências regionais.
A compra, apesar de ter sido fechada ainda em 2012, criou constrangimento no próprio ministério, justamente porque parte do desembolso ocorreu em junho, em meio à discussão de novo corte de despesas no Orçamento deste ano. Internamente, considerou-se que o momento não era apropriado.
A despesa para a compra dos carros, apesar de prevista como restos a pagar de 2012, tem impacto no resultado financeiro das contas públicas neste ano. A Fazenda diz que o contrato com a Fiat, feito em setembro de 2012 em nome da superintendência do Rio Grande do Sul, não poderia ser cancelado.