|
Quioshi Goto |
|
|
|
Nico: “Assembleia sem pauta. Foi sobre ir ou não à greve” |
Os servidores da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) decidiram entrar em greve daqui a nove dias, a partir das 7h da manhã do dia 26 de agosto. A deflagração foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) na última quinta-feira, após avaliação da proposta do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) apresentado pelo órgão.
Em edital, o sindicato informa ainda que o inchaço de cargos comissionados, “em sua grande maioria por indicação de vereadores”, também motivou a decisão da categoria.
Recentemente, o JC revelou que os comissionados chegam a 68, sendo que 37 deles são nomeados livremente e não são celetistas da Emdurb.
A principal crítica, no entanto, se dá às poucas melhorias propostas pelo PCCS. A promoção por escolaridade, por exemplo, seria de, no máximo, 2% sobre o salário para os profissionais que realizarem Mestrado. Aqueles que concluírem o ensino médio, por exemplo, teriam aumento de apenas 0,5%.
O Sinserm compara com o PCCS aprovado para os servidores da Prefeitura de Bauru, que estipula aumento de 15% para a promoção por qualquer escolaridade. Ainda de acordo com a entidade, valorização média de um funcionário da Emdurb após 30 anos de carreira aumentaria de 13% para 21,5%; no funcionalismo da administração direta, esta variação é de 30%.
Atualmente, o piso salarial na Emdurb é de R$830,18. Este valor seria mantido pelo PCCS, segundo o Sinserm. Após 30 anos de carreira com ao menos uma nova escolaridade apresentada, esse valor é de R$ 938,10 e, caso a proposta entre em vigor, passa para R$ 1.014,54.
“Foram mais de três anos esperando o tal projeto. O PCCS da Emdurb não valoriza ninguém, discrimina os servidores da empresa frente aos demais PCCSs”, avalia o sindicato no comunicado de greve.
A entidade reforça que os menos beneficiados pela proposta da empresa municipal são os coletores de lixo, varredores de rua, capinadores, coveiros, operadores de área azul e mais tantas outras funções de trabalhos puxados, muitas vezes sob chuva ou forte sol.
Comissionados
Sinserm reforça que dados da própria Emdurb informam que o impacto salarial do PCCS sobre os cerca de 800 trabalhadores será de R$ 22 mil ao mês, o que representa aumento médio de R$ 27,50 para cada funcionário.
Enquanto isso, os 37 cargos de livre nomeação acumulam um gasto salariam mensal de R$ 145 mil, além de R$ 110 mil relativos a encargos trabalhistas, totalizando R$ 255 mil em gastos.
“São 37 cabides políticos recebendo 10 vezes mais que o aumento salarial proposto para 800 servidores”, compara a entidade que representa a categoria.
O sindicato pede ainda o apoio da população por meio de cartas a jornais, exigindo explicações do governo municipal e defendendo os trabalhadores da Emdurb.
Diálogo
Presidente da Emdurb, Nico Mondelli acredita no sucesso de diálogo que deve ser retomado a partir da semana que vem a fim de impedir a greve. É possível que o Sinserm sente à mesa na próxima quarta-feira. “Acredito que seja mais uma pressão para conseguirem melhorias”.
Mondelli, porém, frisa que o objetivo do PCCS é garantir a valorização dos trabalhadores e não o aumento salarial. “Esse ponto deveria ter sido discutido na data-base da categoria”.
Nico Mondelli também critica a postura da entidade. “A assembleia deles não tinha pauta. Foi sobre ir ou não para a greve”.
A interrupção da coleta de lixo é a principal preocupação do órgão municipal. “É onde o sindicato foca porque dois diretores de lá são coletores. Vamos conversar com o grupo para tentar impedir a paralisação”, frisa Mondelli.