Familiares e amigos de André Luiz da Silva Rocha, de 33 anos, que morreu no último domingo (11), após uma confusão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ipiranga, fizeram, na manhã deste sábado (17), em frente à unidade de saúde, um protesto pela morte do familiar.
O fato, que está sendo investigado pela Polícia Civil, deixou a família abalada. Cerca de 40 pessoas foram com cartazes e apitos exigindo uma resposta das autoridades em relação à morte de André.
Segundo a família da vítima, o rapaz não era usuário de drogas. Os familiares queriam que algum representante da Secretaria de Saúde fosse ao local para uma conversa e esclarecimentos, mas ninguém apareceu.
Relembre o caso
Um simples atendimento médico terminou em confusão e morte na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ipiranga, na tarde de domingo (11). Depois de passar por consulta e receber medicação para uma dor de dente, André Luiz da Silva Rocha, 33 anos, que sofre de problemas psiquiátricos, segundo familiares, agrediu a assistente social da unidade de saúde, foi contido pelo segurança e morreu na sala de emergência.
O fato, ainda muito obscuro, parecia mais um caso de agressão quando a ocorrência começou a ser investigado pela Polícia Civil. Fora apurado no início que Rocha seria usuário de entorpecente - o que foi negado pela família (leia mais abaixo) -, e teria agredido a funcionária porque pediu um passe de ônibus e ela não deu.
“O que aconteceu, foi que um rapaz, que é usuário de drogas, e sempre passa por lá, agrediu a assistente social. O vigilante foi tentar conter ele e ele caiu no chão, bateu a cabeça e teve um traumatismo cranioencefálico. Mas não foi uma briga, foi tentativa de contenção. Ele estava agitado e agrediu a funcionária nossa com soco e chute”, disse Luiz Antonio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da rede municipal, em entrevista ao JC antes do desfecho do caso.
Agitação
No entanto, Sabbag já havia informado preliminarmente que Rocha faleceu depois da briga com o segurança e que teria recebido medicação para se acalmar. “Fizeram uma medicação para diminuir a agitação dele e aí levaram ele para a sala de emergência porque estava com um corte. Ele faleceu na sala de emergência”, completou Sabbag.
Depois da constatação da morte, o corpo do homem foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru para realização de autópsia.
O delegado plantonista, Paulo Calil, ouviu o segurança e a funcionária, que não quiseram falar com a imprensa, e pediu que fosse feito um laudo preliminar.
Família
A família da vítima chegou ao Plantão Policial da Central de Polícia Judiciária (CPJ) por volta das 23h de ontem, abalada com o fato. Jarildo Carlos Alves, 42 anos, que é irmão da vítima, explicou que, há cerca de quatro anos, Rocha faz tratamento psiquiátrico. “Ele não era usuário de drogas, mas bebia às vezes. Ele tinha problemas psiquiátricos e morava com a minha mãe. Isso é um caso de negligência médica”, criticou, consternado. O caso foi registrado como morte suspeita.
Laudo
Apesar de apresentar um corte do lado direito da testa, o delegado Paulo Calil informou que o laudo preliminar do médico legista não apontou lesão intracraniana, ou seja, o cérebro estava intacto.
“O que o médico legista constatou foi que o coração dele estava inchado, que pode ser por conta das medicações que ele fazia por conta dos problemas psiquiátricos. Não foi constatada droga neste exame, apenas havia álcool no fígado. A suposição, neste laudo preliminar, é que a morte ocorreu por interação medicamentosa, porque ele foi medicado para se acalmar. Vamos apurar tudo isso, mas os exames laboratoriais só saem em cerca de 30 dias”, disse o delegado.
O médico legista atestou que o médico da UPA Ipiranga aplicou a medicação Midazolam 15 miligramas, para acalmar Rocha. Conforme apurado pelo JC, trata-se de um sedativo, com rápido início de ação.