09 de julho de 2026
Regional

Sem clima adequado, região não cultiva alho

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Ingrediente tradicional da culinária brasileira, o alho é uma cultura que exige temperatura baixa para indução e formação adequada dos bulbos ou cabeças. Até por conta disso, o Estado de São Paulo, segundo especialistas, não figura como grande produtor. Na região de Bauru, o cultivo da planta é insignificante, embora tenha um grande distribuidor na cidade de Iacanga.

Quem explica a dificuldade encontrada pelos agricultores da região é o engenheiro agrônomo da Cati/Bauru Sérgio Ishicawa. “Os alhos considerados nobres precisam de muitas horas de frio para indução, a formação adequada dos bulbos (cabeça). No Estado de São Paulo, faltam horas de frio.”

O que alguns produtores de algumas regiões acabam fazendo é adotar um processo chamado de vernalização (quando a indução floral é iniciada a partir de temperaturas entre zero e 7ºC). “Nada mais é que o tratamento em câmara fria. Deixa-se a semente (dente) na câmara de 40 a 50 dias, até começar a brotar. Quando isso ocorre, planta-se nos canteiros. Só assim para ele ser produzido na nossa região”, diz Ishicawa.

Outro fator que inviabiliza a produção na região é a concorrência de preços. “O processo de vernalização encarece o alho. Não dá para competir em preço e qualidade com o produto Argentino e Chinês, que chegam baratíssimos ao Brasil.”

De acordo com Sérgio Ishicawa, vários produtores de cebola e alho pararam as atividades no Estado de São Paulo por conta desses fatores. “Não existe produção comercial. Na nossa região, eu não conheço nenhum produtor de alho. Antigamente, tinha um em Iacanga. Ele tinha uma área expressiva, mas com o advento do alho importados, ficou muito mais barato para ele importar do que produzir. A lucratividade dele é maior com o alho importado. Assim, ele passou a ser distribuidor. Não compensa para ele produzir.”

O engenheiro agrônomo da Cati/Botucatu Jaime Duarte Filho explica que na região dele há interessados no cultivo do alho por conta das compras governamentais, mas o problema é encontrar fornecedores de sementes de boa qualidade. “Os grandes produtores que estão no sul do País, produzem suas próprias sementes, livres de vírus. As sementes que estão no mercado estão com carga viral muito grande e em função disso, a produtividade é muito baixa, insignificante, somados não dá nem um hectare de plantação.”

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu pode mudar essa situação. Pesquisadores da universidade utilizaram uma tecnologia para livrar a planta da carga de vírus. O “superalho”, como foi batizado, já está sendo cultivado por nove produtores do  Estado de Goiás.