08 de julho de 2026
Regional

Pesquisa estuda carga viral do alho

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Se na região de Bauru não há produção porque falta frio, segundo o engenheiro agrônomo da Cati/Bauru Sérgio Ishicawa, em outras regiões a carga de vírus pode ser problema. Por conta disso, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu estudam o assunto.

A pesquisa já tem 10 anos e vem sendo apontada pela Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) como uma alternativa para livrar o País das importações do produto. O Brasil produz apenas 30% do consumo anual, o que representou, no ano passado, a compra de 159 mil toneladas de alho, sendo 56% desse volume da China, 39% da Argentina e o restante de pequenos exportadores. Sérgio Ishicawa lembra que o processo de vernalização utilizados por produtores brasileiros  encarece o produto, o que dificulta concorrer no mercado com o produto mais barato que chega do Exterior. Além disso, os produtores precisam lidar com outros problemas, como a carga viral.

Com o desenvolvimento do “superalho”, por pesquisadores de Botucatu, a situação pode mudar. Ele é livre da carga virótica responsável pela formação das tradicionais cabeças de alhos miúdas, segundo o pesquisador Marcelo Agenor Pavan. “A ideia surgiu a partir de o alho- semente brasileiro estar infectado com um complexo viral, que era crônico e que acarretava perda na qualidade e produtividade do alho nacional. Com a limpeza deste alho-semente, livre de vírus  e de patógenos, as cultivares nacionais respondia com boa produtividade.”

Através de pesquisa, a equipe do pesquisador identificou os vírus. “O trabalho foi esclarecer como se formava o complexo viral, caracterizando e identificando os vírus que formavam este complexo, com a obtenção de clones de alho livre de vírus através de termoterapia e cultura de tecido e aclimatização (multiplicação) em local adequado. No caso, o local escolhido foi o de Guarapuava (PR), com altitude superior a 1000 metros e local com poucos produtores de alho.”

Pavan explica que as condições para o cultivo do superalho vai do sul do País ao serrado brasileiro. Com preferência de local com altitudes superiores a 1000 metros. “Na região de Bauru e Botucatu, há condições de produzir o “superalho”, desde que sejam adotados cuidados com a vernalização da semente (antes do plantio deixar na câmara fria 5º C por 40 dias), época de plantio, adubação e irrigação adequada.”

Custos

A semente do “superalho” ainda é mais cara que a semente padrão existente no País. O desafio dos pesquisadores é torna-la mais acessível aos principais Estados produtores: Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia. “Ainda não temos como competir em preço com o produto importado, mas não perdemos em qualidade. O “superalho” tem cor roxa e sabor picante, de fácil aceitação e que o diferencia do alho chinês, branco e menos forte.”

Para o pesquisador, o “superalho” permite uma competição entre o produto nacional e o chinês. “A importância do desenvolvimento do “superalho” está na maior produtividade do alho nacional, que está em torno de 10 toneladas/ha. Temos gente com produtividade superior a 18 toneladas/ha. Nove deles estão no Estado de Goiás, são parceiros da pesquisa. O cultivo chega a 300 hectares.”

Na opinião do pesquisador, o cultivo do “superalho” dá oportunidade do produtor ter maior remuneração e, por consequência, maior produtividade com a cultura do alho. “As sementes do “superalho” estão sendo comercializadas pelo Grupo G-9 em Santa Juliana, Minas Gerais e Paraná.”


Um dente por dia

A nutricionista do Sesi/Bauru Andressa Borgo explica que o alho tem várias propriedades terapêuticas. Para usufruir delas, é preciso consumir um dente de alho por dia. “O ideal é consumir cru. Se puder, amassado, para que ele libere as substâncias que vão fazer bem ao organismo.”

As substâncias contidas no alho, segundo ela, vão ajudar na prevenção de câncer de pulmão, estômago e fígado. “Ajuda a diminuir a pressão sanguínea, por isso é indicado para quem tem pressão alta. Ajuda a diminuir os níveis de colesterol. É um poderoso antibiótico.”

De acordo com a nutricionista, o consumo do alho em meio a outros alimentos, assado ou cozido, também ajuda, mas não da mesma maneira como o consumir cru. “O pessoal reclama do hálito e do odor que ele exala no corpo. Para isso não há alternativas.”


Como nasceu o alho sem vírus

A busca pelo desenvolvimento de uma semente livre dos vírus que contaminam o plantio de alho brasileiro levou os pesquisadores a retirarem o broto da hortaliça comum e cultivá-la em uma substância composta por hormônios, vitaminas e sais.

O material foi transferido para ser cultivado em uma estufa com luz e temperatura controladas até se transformar em semente- um dente de alho que está pronto para o cultivo. Depois de cerca de dois anos, é preciso usar novas sementes.

A multiplicação da semente foi feita em Guarapuava (PR), onde não havia o risco de contaminação. As baixas temperaturas desse município não permitem a ação de pulgões e ácaros, transmissores dos vírus no País.


Na cura do resfriado

Allium Sativum é o nome científico do alho e dele na forma de medicamento homeopático. A farmacêutica Tereza Cristina A. S. Campos explica que na homeopatia o alho é muito usado na cura de resfriados. “Ele não tem contra indicação, pode ser usado por crianças, adultos e idosos. Especialmente quando o paciente tem lacrimejamento. Aquele choro do alho, quando a gente corta e o olho lacrimeja.”

Ela lembra que os medicamentos fitoterápicos também têm alho na forma de cápsulas. “É indicado como preventivo nas gripes e resfriado porque age como antibiótico natural. É bastante utilizado para hipertensão arterial e prevenção na pressão alta. Ele ajuda a baixar o colesterol.”


Cada 100 gramas de alho

Energia  140,00 kcal

Carboidratos  29,30 g

Proteínas  5,30 g

Lipídios 0,20 g

Fibras 1,66 g

Potássio 400,00 mg

Vitamina B1 (Tiamina) 02,00 mcg

Vitamina C (Ácido ascórbico) 31,10mg

Ácido Fólico 3,10 mg

Fósforo 150,00 mg

Cobre 0,26 mg

Cálcio 181,00 mg

Selênio 24,90 mg

Ferro 1,70 mg

Zinco 8,83 mg

Fonte: sounatural.com