Quero, desde logo, manifestar minha irrestrita solidariedade aos vereadores de Bauru, titulares e suplentes, que sofrem processo de cassação de seus mandatos em virtude de sentença proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral da qual cabe recurso. Ainda bem. Militante político e sempre ligado à Igreja Católica fiquei fora do jornal que deu origem ao processo em curso fato que, embora lamentável, é difícil avaliar se teria influenciado no resultado de minha campanha a vereador na última eleição. O motivo da não publicação deveu-se a desencontro de procedimentos durante a elaboração do referido jornal, que não cabe agora discutir.
Vítimas de legislação draconiana, os candidatos a cargos eletivos sofrem severas restrições em suas campanhas, uma deformação da prática democrática especialmente na fase eleitoral, momento privilegiado do contato direto entre eleitor e candidato, onde ele expõe suas ideias, projetos, sua biografia, numa palavra, sua própria vida.
A Igreja católica tem criado, ao longo da história, movimentos e ações estimulando seus fiéis a participarem do processo político e a recente visita do papa Francisco ao Brasil foi demonstração inequívoca do papel dos leigos na política, expressão mais nobre do serviço público. Lembrando Pilatos, o papa afirmou que os jovens não podem "lavar as mãos?? diante dos desafios que lhes são apresentados.
No século passado, os católicos conheceram a Ação Católica, experiência que deu origem ao movimento Economia e Humanismo e a Juventude Universitária Católica, preparando os jovens estudantes na chamada Espiritualidade na Ação e no engajamento político. Outro movimento católico que contribui para a construção de um novo modelo de sociedade é o Focolare, com a chamada Economia de Comunhão, criado pela italiana Chiara Lubich, que também chama os cristãos para o mundo da política.
Finalmente, privilegiados, os católicos têm herdeiros e propagadores da corrente política conhecida como socialismo-cristão: Plinio de Arruda Sampaio, Luiza Erundina, Pedro Simon, Frei Beto, D. Pedro Casaldáliga e tantos outros que seguem lutando como cristãos autênticos na conquista de "um mundo novo possível??.
Exemplos de vida a serem seguidos. Por tudo isso, renovamos os votos de solidariedade aos que tiveram seus mandatos cassados confiando que, com mandato ou sem mandato, permanecerão na luta.
O autor, Isaias Daibem, é professor e ex-vereador