08 de julho de 2026
Política

Comissão quer o dobro de leitos no PS

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Apesar de o PSC contar com uma planta para ser reformado, a prefeitura ainda não dispõe de verbas para a obra

A necessidade de ampliação do prédio do Pronto-Socorro Central (PSC) além do já projetado pela administração municipal e o consequente aumento dos atendimentos de retaguarda da unidade estão entre as dez sugestões tiradas ontem pelos parlamentares que compõem a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Bauru. A planta de reforma do PS foi analisada no encontro realizado na casa do vereador Raul Gonçalves Paula (PV).

Ele e os colegas Telma Gobbi (PMDB) e Paulo Eduardo de Souza (PSB), que formam uma bancada médica no Legislativo, ainda analisaram e definiram encaminhamentos para as denúncias apresentadas na semana passada pelo Conselho Gestor do Pronto-Socorro (leia mais abaixo). De acordo com o conselho, médicos do Pronto Atendimento Infantil (PAI) bateriam ponto, mas não cumpririam plantões na íntegra.

“Nós propusemos que se multiplique o número de leitos, dos 15 atuais para 30. Também sugerimos que haja poltronas para hidratação a pacientes com quadros de diarreia ou cólica renal. Eles não precisam necessariamente de leitos”, comenta Raul.

Trânsito

De acordo com ele, o projeto elaborado pela prefeitura de reforma do PSC prevê ainda os consultórios distantes da sala de espera, algo que os vereadores propõem revisão. Para tanto, técnicos da Secretaria de Planejamento (Seplan), que ainda trabalham na planta estudada ontem pelos parlamentares, serão convidados para discutir o projeto, destacam Telma Gobbi e Paulo Eduardo de Souza.

Na oportunidade, vão rever a proposta da prefeitura de abrigar, na mesma sala de espera, pacientes adultos e infantis. Os vereadores defendem que públicos diferentes permaneçam em espaços distintos, como acontece hoje com o Pronto Atendimento Infantil (PAI) funcionando num imóvel próximo.

Para que as sugestões de ampliação sejam viabilizadas, a Comissão de Saúde ainda prevê a ampliação do prédio, que terá um segundo andar, sobre a área onde atualmente permanecem as ambulâncias. Na opinião deles, o espaço é vasto e capaz de ser reduzido sem provocar problemas no tráfego de viaturas.


Propostas impactam também o Estado

Ao se debruçar sobre a planta de reforma do PSC, a Comissão de Saúde da Câmara, de forma inevitável, ainda analisou o sistema de saúde de Bauru de forma global e tirou propostas consideradas conjunturais. Entre elas, que os hospitais de Bauru priorizem casos de urgência e emergência e deem retaguarda às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ao PSC e ao PAI.

Para tanto, as sugestões têm impacto também na rede estadual, responsável pelo atendimento especializado. “Vamos pedir isso ao sistema. Quem pactuou? Município e Estado”, explica Raul Gonçalves de Paula. De acordo com o vereador, a Comissão de Saúde ainda pedirá um cronograma do aumento efetivo no número de leitos hospitalares.

Os 80 que devem ser implementados no Hospital de Base passam a funcionar quando? É possível ampliar vagas no Manoel de Abreu? São questões que os vereadores querem respondidas por escrito. Segundo Raul, o Ministério da Saúde prevê 2,5 leitos para cada mil habitantes. Portanto, seriam necessários 750 leitos, ou seja, 250 a mais dos atuais 500 – isso sem contar o acolhimento de pacientes da região.

A bancada médica também considera importante que o Hospital Estadual conte com porta de entrada, ou seja, que pacientes o procurem como fazem com o PSC. “Falo isso desde o começo. Também acho que o município deve assumir o Base ou o Base assume o PSC”, afirma.

O documento oficial da Comissão de Saúde será discutido com outros vereadores e com gestores da saúde. Depois, será remetido para autoridades competentes da própria área, além dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. 


UTIs

Outra proposta a ser encaminhada pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal visa transformar as unidades de pacientes graves (UPGs) em unidades de terapia intensiva (UTIs). Para tanto, a prefeitura teria de credenciar as novas unidades a fim de receber aporte financeiro do governo federal para mantê-las. Atualmente, o PSC dispõe de quatro UPGs, que são leitos contemplados com respiradores.


Sem previsão

Embora a Comissão de Saúde da Câmara esteja estudando a planta de reforma do PSC, o município ainda não dispõe de recursos para iniciar a obra. Segundo Fernando Monti, titular da Secretaria Municipal da Saúde, da última vez que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na cidade, foram discutidas formas de financiamento do governo federal.

Encontraram uma linha que disponibiliza até R$ 3,2 milhões, embora as estimativas iniciais apontem para necessidade de R$ 4 milhões. Já ao referir-se às propostas de alteração do projeto de reforma, diz ter enorme simpatia pelas sugestões. “Ficamos mais à vontade com projetos compartilhados. Melhor do que algo só interno, com olhar apenas técnico”, explica.