08 de julho de 2026
Geral

Três gerações marcadas pelo click

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Nesta segunda-feira, 19 de agosto, a família Vieira vai comemorar com orgulho mais um Dia Internacional da Fotografia. A ligação com a fotografia está presente na história de três gerações seguidas da família, do avô José Vieira dos Santos (1921-2012) ao pai Miguel Angelo Vieira, conta o também fotógrafo profissional e integrante da nova geração, Miguel Angelo Vieira Filho.

A paixão pelo click em busca da melhor imagem começou em São Manuel com o avô José Vieira dos Santos, falecido no ano passado.

“O filme era uma chapa de vidro com emulsão química para revelação em preto e branco e o flash era disparado através de uma espécie de pólvora branca, porque não existia lâmpada de flash”, “revela” o neto.

Dos mais de 50 anos de profissão de seu José, Miguel Filho ouviu, no colo, histórias que descrevem a própria evolução da foto.

“Ele contou que foi fotografar um casamento em São Manuel e foi fazer um plano aberto de toda a festa. Se posicionou atrás da banda, mas carregou demais a pólvora branca, o flash da época. O estrondo foi tão grande que o baterista caiu do banquinho. A banda parou e, apesar do susto geral, o fato era apenas meu avô fazendo mais um retrato”, reconta.

Isso aconteceu na década de 40 do século anterior. Ainda levou algum tempo para o setor receber as lâmpadas para flash, já sem a presença da pólvora, mas com outro inconveniente: uma piscada, uma foto. Depois a lâmpada era descartada.

Por esta razão, seu José levava para o casamento uma mala cheia de lâmpadas. “Eram apenas 12 fotos por casamento. Somente os principais momentos costumavam ser registrados”, recorda o filho de José, pai de Miguel Filho. A vocação para a fotografia tem como marco, até hoje, a existência da loja Foto Rádio, fundada pelo avô José Vieira em 1954 em São Manuel, na rua Moraes Gordo, 311.

Elo

 

José ensinou o filho Miguel Angelo que, então, viu o filho abraçar o mesmo ofício. Mas o elo dentro da profissão não parou por aí. O avô ainda repassou os truques da foto em preto e branco e a revelação na câmara escura para seu outro filho, o caçula Daniel Vieira dos Santos, atual proprietário do Foto Rádio.

m 1972, meu pai mudou-se para Bauru para assumir função no Instituto de Criminalística da Polícia Científica como fotógrafo pericial, tendo completado 35 anos de serviços também com imagens”, complementa. Aliado à função de perito, o Miguel pai filmou casamentos sozinho no ramo em Bauru até o início da década de 70, tempo em que ainda se usavam câmeras de cinema no formato 8 mm.

“E outra coincidência histórica familiar ou não, o fato é que em 1977 nasceu a empresa Super Vídeo Foto pelas mãos do pai, mesmo ano em que Miguel Angelo Filho veio ao mundo. “A filmagem em vídeo no formato VHS veio só na década de 80. Hoje filmamos tudo em full HD digital”, atualiza o filho, há alguns anos proprietário da empresa Mig Foto, claro também do ramo.


Não é bicho de sete cabeças

Fotografar é um hábito para boa parte das pessoas. O advento da imagem digital e a proliferação de registradores embutidos no telefone celular não só massificou o hábito, como virou mania para muitos. Qualquer cena, objeto ou ação vira click. Mas o que muitos amadores não costumam dominar são os truques e como não cometer erros comuns. A falta de informação também leva a muita perda de arquivo, sobretudo para quem armazena imagem em telefone celular. 

O profissional Miguel Angelo Vieira Filho posiciona que a diversidade de câmeras semiprofissionais disponíveis no mercado traz variações no tempo de resposta do registro fotográfico. Isso acontece pelas diferenças na resposta do chamado obturador, o botãozinho que você aperta para “fazer a foto”.

“O disparo do obturador é mais lento para algumas câmeras e esse time de resposta não é levado em conta pelo amador. Com isso, aquela cena que você tentou pegar na hora não vem. O atraso de um a dois segundos é muito tempo para uma foto”, comenta.


Iniciante

Um exercício para o iniciante é testar a máquina antes tentando antecipar a cena em um ou dois segundos. “Se você treinar esse hábito de pensar o momento que você quer antes, para as chamadas fotos programadas, você vai evoluir”.

Atenção, amadores, o ato de fotografar exige mãos firmes. Evite movimento no ato de clicar. “A maior incidência de perda de fotos na hora que as pessoas procuram a empresa para realizar a ampliação ou montar álbuns é no erro de ficar movimentando a máquina na mão o tempo todo. Posiciona a máquina firme ao definir o ângulo e o enquadramento e clica sem mexer. À noite esse procedimento é ainda mais importante”, orienta.      

Para quem conta com câmeras modernas, com uma infinidade de configurações, ajustes, não custa buscar um curso rápido com um profissional.

“Quem tem uma câmera boa, com filtro e lente ideais, deve usar o flash durante o dia para tirar a sombra em torno do rosto, por exemplo. Em locais internos, à noite, em muitas situações a luz ambiente é muito boa e pode ser melhor dispensar o flash, ao contrário do que boa parte de um amador pensa. A situação para cada cena ou fato depende de uma série de dicas. Procurar um profissional evita erros e pode ser a porta aberta para você se apaixonar para a arte de fotografar”, argumenta Miguel Filho.

Planejamento

Ah, vai realizar casamento ou evento já programado, não perca tempo, faça já o planejamento. Procure informações sobre a idoneidade de profissionais de fotografia, contate amigos (eles te dirão com precisão se foram felizes ou não na contratação do serviço e com quem) e contrate o serviço com um ano de antecedência. Isso funciona e, o melhor, o custo do serviço é bem melhor do que o contratado em cima da hora.


Pré-seleção

Outra dica: não guarde tudo o que você fotografa. “Faça uma pré-seleção sempre após os eventos dos registros. Com o advento do digital o número de registros é muitas vezes maior que o período do filme fotográfico. A seleção vai descartar inúmeras fotos do mesmo ângulo, que contêm a mesma informação e você aproveita e descarta aquelas que ficaram desfocadas, que o plano não ficou bom ou que tremeu ou mesmo as que você não gostou”, sugere o experiente perito Miguel Vieira.

Da geração mais contemporânea do ciclo familiar, o filho Miguel adverte: “Moçada, não guarde foto no telefone celular. É muito comum perder tudo, porque o aparelho sempre leva uma queda ou você perde e aquela imagem importante deixa de existir. Fez a foto no celular e ela é importante pra você, transfere logo para o HD externo de arquivo”, conclui.


Como arquivar

Arquivos em papel podem ser guardados sem perder a qualidade por longo período, desde que armazenados em local seco, sem incidência de qualquer umidade e, de preferência, não expostos a intempéries como o sol.

A mesma orientação serve para os negativos, mas, estes, com durabilidade muito menor. Os profissionais de fotografia consultados apontam, em consenso, que o ideal é procurar empresas que ainda mantêm o serviço de digitalização de fotos em negativo. Mas corra, é um serviço já na lista dos praticamente raros.

“O problema é guardar em local que não seja atacado por bactéria, fungo, não expor à umidade e à formação de mofo, longe da luz e do calor. Misturar álbum com local que tem perfume ou em gavetas com outros itens é erro muito comum. A digitalização é o caminho atual mais seguro para preservar o arquivo e a história”, cita Angelo.

Negativo

No caso das fotos em negativo, o profissional salienta que a celuloide resseca. “Outro erro que deve ser evitado é manter seu arquivo, mesmo da foto digital, em HD de notebook. O sistema tem vulnerabilidade. Os arquivos mais importantes, como álbum de casamento, formatura ou de eventos ou viagens significativas, devem ser armazenados com backup e um HD externo mantido em local seguro e arejado. É um investimento que não é caro e resolve. Um HD externo profissional de 35 polegadas é uma boa indicação”, acrescenta.

Divulgação

Miguel Ângelo e Miguel Filho: a arte de fotografar passou de geração para geração