A 11 dias da inauguração oficial, a Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Dutra, reivindicada há pelo menos 10 anos pela população, divide opiniões e motiva insatisfações sobre acesso.
Com a porta de entrada principal voltada para uma praça, a unidade é alvo de queixa por moradores, que apontam problemas na entrada ao prédio e exigem a reabertura de uma rua.
De acordo com eles, a ligação da praça com a unidade de saúde, por meio do “calçadão” construído pela prefeitura, expõe os usuários e pedestres ao risco de acidentes por conta do fluxo de ambulâncias e veículos no local.
A prefeitura, contudo, por meio das secretarias municipais de Obras e Saúde, rebate a informação, alegando que a passagem comum às ambulâncias e pedestres é eficaz e não representa perigo, já que a finalidade do estabelecimento não seria atender casos graves.
Polêmica
A polêmica em torno do caso se estende após a supressão de uma rua que existia em frente ao antigo Núcleo de Saúde da Vila Dutra.
Alvo de reclamações por moradores ao longo dos últimos anos por não suportar a demanda no bairro, a unidade foi fechada pela Secretaria Municipal de Saúde e transferida para um imóvel alugado na avenida das Bandeiras.
A obra de construção da Unidade de Saúde da Família da Vila Dutra, orçada em R$ 987 mil, teve início em junho do ano passado.
O projeto inicial, entretanto, contemplava um prédio com área maior do que a do terreno em questão.
A falta de espaço fez com que a prefeitura decidisse, em conjunto com a Associação de Moradores do bairro, a supressão da quadra 5 da rua Luiz Barbosa Sobrinho, que dava acesso à entrada principal da antiga unidade e à praça José Leandro de Brito.
Com o início das obras e a extinção da rua, a unidade, que possui aproximadamente 400 metros quadrados, conseguiu avançar mais três metros e ficou praticamente conectada à praça, que está com o ‘calçadão’ em fase final.
Cobrança
Agora, os moradores cobram da prefeitura que a rua seja reaberta, o que atrasaria a inauguração da USF, prevista para o dia 31 de agosto.
“Não estava combinada a construção desse calçamento. Queremos a rua de volta e com calçada. Numa emergência, a ambulância pode entrar aqui e acabar atropelando alguém”, critica o representante da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região Centro Oeste (Fuam) Jesus Adriano dos Santos.
“As ruas ao redor são estreitas e de mão dupla, até mesmo a ambulância terá dificuldades. A acessibilidade ficou totalmente prejudicada”, reforça o presidente da Associação de Moradores do Vila Dutra, Martim Silva.
No local, conforme o JC apurou, o fato do portão principal não estar centralizado também parece ser um agravante, já que uma pilastra dificulta a entrada de macas na unidade.
Reabertura
Responsável pela construção do calçamento e revitalização da praça em frente à USF, o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, informou que enviou, em junho, um ofício com destino à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e ao gabinete do prefeito, solicitando a reabertura da via em questão, a pedido dos moradores.
“Eu também era a favor de a rua ser reaberta e enviamos um estudo para que isso fosse feito, mas o pedido foi indeferido. A alegação era de que o ‘calçadão’ atenderia aos anseios da unidade. Além disso, para reabrir a rua teríamos que ocupar parte da praça, o que causaria um entrave ambiental e atrasaria a inauguração em pelo menos dois meses”, explica Sidnei.
Segundo ele, diferentemente da supressão da rua, uma legislação ambiental exige que, para a extinção de parte da praça, seria necessário o compensamento da área verde em outro local.
“Isso demandaria uma discussão no legislativo, até porque não temos áreas disponíveis. Por isso, a escolha pelo calçamento”, fecha questão o secretário.
A mesma opinião é compartilhada pelo secretário municipal de Saúde Fernando Monti.
“Aquela unidade não é uma UPA (Unidade de Pronto-Atendimento), portanto, a probabilidade de chegar uma ambulância com caso grave e, possivelmente, atrapalhar a passagem de pedestres é pequena. A rua que foi extinta era de baixo fluxo e foi feito um estudo antes”, diz.
E conclui: “Não vejo problemas em instalar aparelho público em praça”.
Acesso
Sobre a dificuldade no acesso causado pelas ruas ao redor da unidade, que são estreitas e de mão dupla, Sidnei informou que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdurb) já estuda mudanças e implantação de placas proibindo o estacionamento nesses locais.
“O ‘calçadão’ terá acesso restrito à ambulâncias e veículos em situações de emergência”, pontua.
Resposta
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente informou que foi permitida a supressão de apenas duas árvores para viabilização das obras da Unidade de Saúde da Família da Vila Dutra (Bauru).
No entanto, na madrugada da última quinta-feira, 15/08, foi constatado o corte irregular de outras duas árvores no local, o que causou a abertura de um boletim de ocorrência por parte da Semma, junto à Polícia Ambiental.
O custo total das obras da Unidade de Saúde da Família foi de R$ 987.515,09, sendo que desse total, R$ 400.000,00 com recursos do Governo Federal.