09 de julho de 2026
Regional

Ovelha rosa vira ?celebridade?

Marcus Liborio, especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Marcus Liborio

Mell é pintada de rosa pela proprietária Érica Cristina Vicente Correa e virou atração

Se o cachorro é o melhor amigo do homem, o que seria, então, uma ovelha rosa? No bairro Jardim Aclimação, em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), Mell, uma ovelha pintada de pink, é vista como celebridade. Por onde passa, desperta atenção e curiosidade não só pela cor inusitada, mas também por ser mansa ao extremo.

Para mantê-la com o visual “style”, como alguns definem, Érica Cristina Vicente Correa, 30 anos, que tem um amor incondicional por animais, leva mais de duas horas para tingi-la com papel crepom e água. Religiosamente, todos os dias, ao final da tarde, ela faz questão de exibir o animal de estimação pelas ruas da cidade. Uma relação quase de mãe e filha.

Diferente. É desta forma que Érica justifica o ato ousado de transformar um cordeiro branco e preto em “rosa-pink”. O costume de tingir os animais, contudo, vem de longa data. “Há mais de 10 anos que eu faço isso e já ganhei até medalha. Tive uma cachorra que andava de bicicleta e, em um concurso que teve uma vez na cidade, a pintei de rosa e venci”, conta. A família também cuida de duas maritacas, um gato e três cães vira-latas.

Mell foi presente de um comerciante do bairro. Em princípio, Érica não queria o animal e, se não fosse a intervenção do pai, o pedreiro Pedro José Vicente, 56 anos, a ovelha, que hoje tem 1 ano e três meses de vida, teria tomado outro rumo.

A esposa de Pedro, a ajudante geral Maria Elisa Patuço, 54 anos, lembra que nos três primeiros dias, assim como um bebê recém-nascido, Mell não deixou ninguém dormir. “A gente tinha que mantê-la dentro de casa e tratá-la à base de mamadeira. Meu marido a colocava no colo e não podia desligar a TV, senão eram só berros”, lembra.

Com o tempo, a ovelha se tornou membro da família e, após ser pintada de rosa, passou de animal de estimação para celebridade. Por onde anda, atrai olhares e questionamentos.

Érica diz que nunca foi criticada por pintá-la. Pelo contrário, muita gente acha engraçado e se aproxima para ver de perto a façanha, nem um pouco comum. “Quando saio com ela, todo mundo para, pergunta, pede para tirar foto e passar a mão. A cor chama muito a atenção. Às vezes, brincam dizendo que vão colocá-la na churrasqueira porque ela está muito gorda”, comenta. Mas o processo para manter Mell com aparência inusitada não é dos mais simples e requer dedicação.

Papel crepom e muita paciência

Ao menos duas vezes por mês, Érica deixa tudo o que está fazendo de lado para se dedicar exclusivamente à produção do visual da ovelha. “Primeiro, eu dou banho e, para isso, gasto quase meio tubo de condicionador. Depois pego quatro rolos de papel crepom na cor rosa, com cerca de um metro de comprimento cada um, misturo na água morna e passo sobre o pelo e as patas. Para secar, eu corro a vila inteira com ela, pois não tenho secador”, brinca.

Durante o processo de tingimento do pelo, que dura cerca de duas horas, Érica conta que a ovelha permanece quieta, como se estivesse gostando de ser produzida.  Após 15 dias, o rosa começa a desbotar e é preciso repetir o método. “Demora uns quatro meses para voltar a cor normal. Eu pinto ela há oito meses, desde quando completou sete meses”, conta.


Bem cuidada

Como toda celebridade que se preze, Mell recebe tratamento diferenciado tanto na aparência quanto na alimentação e lazer. Duas vezes ao dia, seu Pedro mistura ração com aveia, quirela e pó de milho em uma vasilha e dá para a ovelha, que devora o “prato” em poucos minutos. “Fora os pães e folhas que ela come durante o dia todo”, complementa.

O passeio é sagrado. No fim da tarde, Mell anuncia em alto e bom som que já é hora de percorrer o bairro. Os berros só cessam durante o início do passeio. “Eu e as crianças levamos ela até o Parque do Povo, na avenida Orestes Quércia, onde o pessoal costuma fazer caminhada no fim do dia. Lá, sempre alguém se surpreende ao vê-la. É engraçado”, comenta Érica.

Por medo, a ovelha só foi levada uma vez ao Centro de Pirajuí. “Meu pai tem receio dela sair correndo pela rua e ser atropelada. Acho que por isso que a Mell é mais conhecida aqui no bairro”, justifica.

A família também teme que alguém leve o animal embora. Em menos de um mês, a ovelha foi, por duas vezes, alvo de tentativa de furto. “Os vizinhos me disseram que viram quando desconhecidos rondaram a porteira da chácara onde ela fica para tentar pegá-la, mas não conseguiram”, conta, aliviada.

O amor e zelo com a ovelha rosa são tão grandes que, quando questionada sobre vendê-la, Érica, sem pestanejar, disse: “Jamais!” E ainda garantiu mais surpresa para o ano que vem. Na época da Copa do Mundo, Mell será pintada de verde e amarelo, em homenagem à Seleção Brasileira de Futebol. Se a moda pega!

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