08 de julho de 2026
Articulistas

Qual você escolheria?

Ismar Pereira
| Tempo de leitura: 3 min

A vida é cheia de surpresas. Algumas ótimas, outras péssimas. Assim, diante de tantas incertezas, vou fazer uma pequena brincadeira com você, prezado leitor.

E começo sendo extremamente generoso: você acaba de acertar na megasena... Bafejado pela sorte, embolsou uma quantia invejável. Só surge um "problema" muito agradável - e que todo mundo gostaria de enfrentar -: O que fazer com o dinheiro? As aplicações tradicionais têm rendimentos pífios. Então, é melhor pensar em outra coisa, como investir em imóveis. Coisa segura, sem dúvida... Muito melhor do que o velho costume de guardar o dinheiro no colchão. Apenas como ilustração, passo a narrar duas histórias. Ambas verídicas.

Funcionária pública federal, recebendo um ótimo salário, ela sempre foi uma pessoa controlada, solteira e sem filhos, guardava boa parte do que ganhava. Decepcionada com as peripécias e os desatinos da economia e do governo, resolveu tomar uma atitude extrema. Quando ela faleceu, com idade bastante avançada, os parentes, além de tristes, também ficaram um pouco desapontados, tristes porque perderam um ente querido. Desapontados por que... Deixa pra lá! Quando começaram a desocupar o apartamento, já que ela morava sozinha, ao remover um velho colchão, notaram algo estranho. Pelo sim, pelo não, resolveram conferir. E tiveram a maior surpresa: ele estava abarrotado de notas de dólares e libras. Brincando, alguém levantou uma hipótese absolutamente absurda: um velho fogão desativado há muito tempo. Não deu outra: ele também estava "abastecido". Esses fatos ocorreram no Rio de Janeiro. E eu conheço uma pessoa que foi contemplada com o "achado".

Esta outra história começou em São Paulo e terminou na Cidade Maravilhosa. Uma jovem, bonita e culta, conheceu um engenheiro alemão que viera trabalhar na Siemens. Casaram-se e, tempos depois, foram morar na Alemanha. Quando ele se aposentou, o casal resolveu voltar para o Brasil. Local escolhido: Rio de Janeiro, onde foram adquiridos três apartamentos em Copacabana ? um para residir e dois para alugar. Encontraram uma imobiliária cujo dono, muito simpático, logo conquistou a amizade e a confiança do casal, que não tinha filhos. Vários anos depois, o marido faleceu. A viúva continuou confiando no amigo, que passou a lhe dedicar uma atenção especial: levava pessoalmente, os documentos que necessitassem de assinatura dela, tais como procurações, recibos, cheques, etc. Até que um dia, ao comentar esses fatos com uma sobrinha, residente em São Paulo, esta ficou desconfiada. Investigou e descobriu a triste realidade: o simpático homem da imobiliária era o novo dono dos três apartamentos e da poupança de meio milhão de reais. Mas ele foi extremamente generoso: permitiu que a viúva continuasse ocupando um dos apartamentos até o fim da sua vida. E eu conheço alguém que foi prejudicado com o que aconteceu.

Voltando à pergunta feita lá no início: o que você, prezado leitor, faria com aquele dinheiro da mega sena? Tenho certeza de que faria a aplicação mais acertada. Entanto, se a pergunta, como um bumerangue, rodopiasse no céu e, de volta, caísse sobre a minha cabeça, eu não teria qualquer dúvida: seguiria, fielmente, as orientações do brilhante economista Reinaldo Cafeo!

O autor, Ismar Pereira, é advogado aposentado e colaborador de Opinião