08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Viagem


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Hoje lá pelas tantas da madrugada, mais uma vez perdi o sono. Deitado, ouvia o insistente apito de uma locomotiva que, imagino, deveria estar manobrando algum trem de carga, já que trem de passageiros não existem mais, no que sobrou das nossas maravilhosas ferrovias de um passado não muito distante, onde vivi boa parte de minha vida, e, de onde meu pai, ferroviário como muitos aqui na "grande Bela Vista?? também eram, trabalhou e criou seus 8 filhos.

Só quem tem insônia sabe como é grande cada hora de uma noite. Então, fui mais longe. Viajei novamente na majestosa ferrovia, com sua imponente estação, onde embarcávamos no meio de tanta gente nos trens abarrotados que iam e vinham trazendo e levando histórias. Nós, crianças, vibrando com a chegada da composição que nos levaria para casa de nossos avós, férias de escolas, aproximação das festas de final de ano, tudo era alegria.

Com o dia quase amanhecendo, fui voltando da minha viagem. Deparei-me então da realidade. Lembrei da sucateada ferrovia, que hoje apenas nos deixa frustrados. Um corredor que contamina toda cidade com mato, sujeira, favelas, gente miserável nos trilhos, viajando no vício das drogas. Onde estão os responsáveis por isso?

Foi então que lembrei do dia de ontem, quando fui buscar um amigo no aeroporto Bauru-Arealva, que voltava de Curitiba a trabalho. Enquanto o voo não chegava, pensei em muitas coisas, na meia dúzia de pessoas bem vestidas que esperavam para embarcar, num meio de transporte que ainda é para a elite. E, depois, no desembarca, de onde veio meu amigo, mais meia dúzia de pessoas privilegiadas. Será que tudo isso faz sentido?

No banheiro do aeroporto, vi nas paredes delicados protestos feitos a lápis, onde se criticavam comportadamente dois ou três políticos. E a viagem da classe popular, acho que mesmo ficou nas telas de LCD compradas nos carnês a perder de vista. Plim, plim...

Demerval Assis da Silva