09 de julho de 2026
Cultura

O homem mau do western

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Aos 70 anos de idade e mais outros “200 e tantos de história e experiência”, não seria de se espantar a necessidade de Toni Cardi colocar para fora tudo o que viveu. Na obra recém-lançada que leva o título de “Toni Cardi – A Simetria de uma Trajetória” ele faz o relato autobiográfico contando sua vida como corretor de imóveis, onde atuou, entre outros lugares, em Bauru.

Por si só, uma profissão cheia de nuances, altos e baixos e muitas histórias, pois ser corretor já valeria um livro. Mas neste caso ele relata também suas peripécias como ator. E ator de cinema. Daqueles que conviveu com a lenda Mazzaropi, o diretor que também é outra referência, Anselmo Duarte, e participou de filmes com, nada mais, nada menos, o rei Pelé.

Fama de briguento

Apresentado como “o homem mau por excelência do western brasileiro dos anos 70, que encarnou como poucos o sujeito durão, com coração de pedra, sempre firme como uma rocha na missão de fazer o mal”, Toni Cardi é referência em obras como “Meu nome é Tonho”, “Noiva da Noite” e “Até o Último Mercenário”. Este ao lado de Carlos Miranda, o eterno “Vigilante Rodoviário”, já da série de televisão.

Há muitas histórias para serem lidas no livro, que conta desde o nascimento do autor, a infância, o trabalho desde pequeno até o dono de grandes empreendimentos imobiliários, tendo participado de lançamentos de condomínios e fundado associações, como as dos proprietários do Jardim Samambaia, se não o primeiro, até hoje um dos primeiros condomínios fechados e de grande porte em Bauru.

Mas há capítulos especiais, quando leva a pecha de briguento e é dispensado da trupe fixa de atores dos filmes de Mazzaropi. Mas, no fundo, as arruaças em que se metia era para defender atores que atuavam à volta da estrela maior e eram discriminados. Lutas e brigas com causa e sendo um homem de bom coração.

Foi justamente seu coração bondoso que o leva a procurar proteção religiosa, através dos orixás, porque estava sendo vítima de inveja. Esse lado, o do espiritismo e do umbandismo, é outro capítulo também apresentado no livro, sem papas na língua. Aonde não falta história de amor e reencontro com uma mulher que o esperou por 20 e tantos anos. E é justamente por não ter papas na língua que este livro, ainda autobiográfico, preserva a identidade de todos e o próprio Toni Cardi é apresentado como James.

James, um homem que vive de vender imóveis, colecionar histórias há 70 anos entre Piracicaba, Bauru e, expandindo suas fronteiras, Ribeirão Preto, São Paulo e outros estados, pois amanhã ele já estará no Amapá, onde outro empreendimento aguarda seus dotes de vendedor. E quem se lembrar do jovem em Bauru ou quiser saber mais dele, agora só mesmo lendo a obra, que pode ser encontrada, ao preço de R$ 28,70, na Livraria Jalovi dos Altos.