O presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), Florentino Cardoso, avalia que a população de baixa renda será a mais afetada com a vinda de médicos cubanos, anunciada na quarta-feira (21) pelo Ministério da Saúde.
Para Cardoso, o baixo grau de instrução e informação sobre a própria doença contribuirão mais ainda para a desinformação. "Os pobres serão os que mais vão sentir negativamente o convênio com médicos cubanos", disse.
Segundo Cardoso, "muitos não vão nem saber se tiveram um atendimento satisfatório, ou se o procedimento adotado fazia sentido. Vai ser uma tragédia", afirmou.
Um dos focos do programa é ampliar a presença de médicos, brasileiros ou estrangeiros, no interior do país e nas periferias das grandes cidades.
No início de agosto, após a constatação de que o primeiro mês de seleção do programa supriu menos de 15% da demanda por médicos, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que o país faria acordos internacionais para alavancar as inscrições no programa.
O acordo com Cuba é o primeiro a ser fechado pelo ministério. Será intermediado pela OPAS (braço da Organização Mundial da Saúde para as Américas), modalidade de acordo nova para os cubanos, que têm parcerias para o envio de médicos com outros países.