A Justiça do Reino Unido deu ontem ao brasileiro David Miranda uma vitória parcial contra o governo britânico, ao restringir o uso que as autoridades poderão fazer dos documentos apreendidos com ele no domingo no aeroporto de Heathrow, em Londres.
Miranda é namorado de Glenn Greenwald, o jornalista do “Guardian” que revelou o esquema de espionagem do governo americano a partir de informações passadas pelo ex-agente de inteligência Edward Snowden.
A Suprema Corte determinou que a polícia e o governo britânicos só podem inspecionar o material com base em um motivo de “segurança nacional”.
Os documentos não podem ser distribuídos ou copiados, nem usados em investigações criminais. Também foi estabelecido um prazo para a análise do material, o próximo dia 30 de agosto. Para Miranda, a decisão é uma “vitória”, mas ele reconhece que, do jeito que foi aprovada, deixa brechas para que o conteúdo presente nos equipamentos continue sendo investigado.
Patriota
A detenção de Miranda foi apontado como um “fato inusitado” pelo ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores), que criticou ainda a falta de comunicação com Miranda durante o episódio. Patriota criticou o tempo em que o brasileiro ficou retido, uma vez que “a grande maioria das pessoas enquadradas nessa situação são liberadas em menos de uma hora”.