08 de julho de 2026
Geral

Crianças esperam até 7 horas no PAI

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, o Pronto Atendimento Infantil (PAI) foi cenário de revolta e indignação de pais, mães e avós que enfrentaram longo tempo de espera para que suas crianças doentes fossem atendidas na unidade. O Jornal da Cidade chegou ao local por volta das 21h de ontem e, aproximadamente, 40 pacientes aguardavam consulta. Alguns deles, desde as 14h.

Aceituno Jr. 

Ana Paula Rodrigues e a ?lha So?a: ambas chegaram às 18h e às 21h45 ainda não tinham sido chamadas

T.A.O., 17 anos, chegou com a filha em crise de bronquite às 13h50, e havia acabado de ser atendida no momento da chegada da reportagem. Pouco tempo antes, a mãe precisou ser contida, pois reagiu de forma agressiva ao tempo de espera. “Meti o bico em tudo”, contou.

Responsáveis pelas crianças relataram que, durante a tarde, apenas um médico estava atendendo. O mesmo teria acontecido no início do plantão da noite. O chamado pelos pacientes só se tornou mais ágil após a chegada de equipes de reportagem ao PAI.

O comentário era de que outro médico se deslocou do Pronto-Socorro Central (PSC) para a unidade pediátrica.

Ana Paula Rodrigues, 37 anos, chegou ao local por volta das 18h e diz ter sido informada que não era certeza de que haveria um aumento no número de profissionais após a troca de plantão, que ocorre às 19h. Às 21h45, ela ainda aguardava o atendimento à filha Sofia Helena da Silva, de apenas seis meses.

Pai de João Vitor Coelho, 3 anos, Diego Damião Coelho, 27, havia chegado às 17h e perderia a hora para o trabalho. “São 21h30 e eu entro às 22h. Se não bastasse isso, estou com medo porque meu filho está com febre e ele tem histórico de convulsão. Falaram que poderia ter quatro médicos à noite, mas, até agora, nada”.

Aos 85 anos de idade, Nilson Rodrigues estava indignado e responsabilizava o prefeito Rodrigo Agostinho, o secretário da Saúde, Fernando Monti, e os vereadores pela situação. Ele acompanhava a neta Luana de Castro Oliveira, que esperava atendimento. “Enquanto não trocarem esses caras que estão aí, isso não vai mudar”.

Muitos pais e mães reclamavam também das péssimas acomodações. “Não tem papel higiênico, não tem água no bebedouro. Nós somos humilhados nesse lugar, enquanto as UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] não recebem crianças”, gritava uma mulher que preferiu não se identificar.

Atípico

Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Bertozo Sabbag admite que o dia foi “complicado” no PAI. A unidade funciona, regularmente, com quatro médicos de plantão. Segundo ele, durante o dia, dois estavam atendendo. À noite seriam três. Um deles, no entanto, chegaria mais tarde e não às 19h.

Segundo Sabbag, uma das médicas que costumava atender às quintas-feiras está de licença médica e outro, com a mãe internada.

Ele afirma, porém, que ficou mais difícil preencher a escala após a denúncia do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) de que médicos pediatras bateriam o ponto, mas não cumpririam seus plantões integralmente.

“Antes, nós ligávamos e o profissional se dispunha a dar plantões só por algumas horas, que eram contabilizadas em um banco para que ele pudesse compensar depois. Agora, ficou todo mundo receoso porque o pessoal estava sendo mal interpretado. Fica difícil”, desabafou o diretor do setor de urgência e emergência.

Sabbag espera que a antiga rotina se normalize após a conclusão das investigações do inquérito que vai apurar a denúncia.