08 de julho de 2026
Nacional

Dólar tem maior queda em um ano

Folhapress
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O dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, fechou ontem em forte queda de 2,53% em relação ao real, cotado em R$ 2,369 na venda. Foi a maior queda diária desde 29 de junho de 2012, quando cedeu 3,95%. Na semana, houve baixa de 0,25%.


O movimento acompanhou a valorização das principais moedas internacionais em relação ao dólar hoje, e foi intensificado pela reação positiva dos investidores ao plano do Banco Central, anunciado na noite de ontem, em que a autoridade injetará US$ 54,5 bilhões no mercado de câmbio até o final do ano.


O dólar comercial, utilizado no comércio Exterior, teve desvalorização de 3,24% hoje, maior queda diária desde 23 de setembro de 2011, para R$ 2,353. O real foi a a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar ontem, entre as 24 principais moedas emergentes do mundo. Apenas três dessas moedas perderam valor em relação ao dólar: a lira turca, o peso argentino e o novo soles, do Peru.


O mercado avaliou positivamente o plano do Banco Central, que prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais, que equivalem a compra de dólares no mercado futuro, de segunda a quinta-feira, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro.


A autoridade monetária já tem feito esses leilões com frequência no mercado para tentar conter a alta da moeda americana. O anúncio do programa de prazo mais longo, porém, que começou ontem, ajuda a dar previsibilidade aos investidores a respeito das intervenções.


Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra - outro mecanismo que também é utilizado para empurrar as cotações da moeda americana para baixo.


Nesses leilões, o BC coloca no mercado, no momento da operação, determinada quantia em dólares com a garantia de recomprá-la após alguns meses, independentemente do valor que a moeda vai ter. Na avaliação de especialistas, o plano do BC é positivo, mas não impedirá que o dólar continue subindo no médio prazo.


Isso porque a perspectiva de que investimentos estrangeiros nos mercados emergentes deverão voltar aos Estados Unidos diante da melhora econômica naquele país vai continuar pressionando as moedas internacionais, que perdem valor diante do dólar. No Brasil, há um agravante: o elevado déficit em conta corrente e a insatisfação com a política econômica do governo, que têm prejudicado o apetite dos estrangeiros por aplicações no país. “Esses fatores, combinados, farão com que o dólar continue subindo. A medida do Banco Central é efetiva para dar mais liquidez ao mercado, ou seja, impede a falta dólares. Mas a tendência para a cotação da moeda americana continua de apreciação”, avalia Felipe Miranda, analista da Empiricus Research.