“Gosto de estar bem próxima do público, conversar, contar histórias”. Assim a cantora Elba Ramalho, atração em Bauru, na próxima terça-feira (27), a partir das 21h, em show no Alameda Quality Center, comenta a “nova Elba”, mais intimista em suas apresentações.
Em entrevista ao JC, Elba deu detalhes de como será seu show em Bauru, revelou o que faz para manter o pique invejável nas apresentações – ela completou 62 anos este mês – e o que gosta de fazer – e ouvir – em casa quando tem tempo para relaxar. Além disso, analisou de forma positiva o atual cenário musical brasileiro.
|
Divulgação |
|
|
|
Elba Ramalho se apresenta mais intimista no próximo show |
Confira:
JC – Seu último show por aqui foi em julho de 2010, quando você comemorou 30 anos de carreira. Você se lembra deste show?
Elba – Lembro de todas as cidades onde canto e também dos shows. Em Bauru, vivi algo atípico na última vez que aí estive. Enfrentamos uma grande tempestade na ida e nosso pouso ficou impossibilitado. Só consegui chegar em Bauru bem em cima da hora do show, depois de horas tentando pousar em alguma cidade mais próxima e, por fim, saindo de carro de Araçatuba para Bauru. Entrei no palco tensa, mas logo passou, pois o público me acolheu com muito carinho e tudo rolou maravilhosamente bem.
JC – E como será seu show em Bauru dia 27? Divulga-se que sua apresentação será diferente, mais intimista...
Elba – Estou num circuito mais intimista, com apenas quatro músicos. Passeio um pouco mais pelas canções, sem perder a alegria. Cabe um forrozinho também. É bom que seja íntimo, aconchegante... Gosto de estar bem próxima do público, conversar, contar histórias.
JC – Quais músicas você apresentará? Será uma mistura ao longo de sua carreira ou algo mais específico?
Elba – Cantarei de tudo um pouco. Canções que marcaram e outras mais recentes. O público tem suas preferências e gosto de atender. É bem possível que queiram ouvir Aconchego, Banho de Cheiro, Bate Coração, Chão de Giz, Frisson... E por aí seguimos...
JC – Você completou 62 anos recentemente e sua agenda de shows é lotada. O que faz para manter o pique nas apresentações?
Elba – Não me esforço pra transparecer que tenho mais ou menos idade. O meu jeito de ser é jovial e pareço ser um pouco mais nova do que realmente sou, ainda por cima dançando e brincando de fazer teatro. A arte rejuvenesce e nos ajuda a manter o espírito iluminado, também pelo carinho e amor que recebemos do público. Me cuido bem. Pratico yoga, meditação, vou à missa todos os dias e nunca deixo minha mente vazia; rezo, rezo e rezo. Esse é o segredo. Além de não ter vícios, álcool, cigarro, sou vegetariana e como somente o necessário para me manter viva.
JC – O que você gosta de ouvir e fazer em casa quando tem tempo para relaxar?
Elba – Tenho meus compromissos com Deus e cumpro o ritual de orações todos os dias. Gosto muito de leitura e um pouco de TV. Quase não sobra tempo pra fazer outras coisas. Ouço música também. Pesquiso coisas que me interessam na Internet, de preferência o que diz respeito às aparições de Nossa Senhora em muitos cantos do mundo. Mas, dedico muito tempo a obra do Pró-Vida (projeto que combate o aborto em que é voluntária) e isso me realiza.
JC – Que tipo de música lhe atrai atualmente? Quais cantores (as) lhe chamam a atenção?
Elba – Depende da ocasião. Não gosto de música descartável, meus ídolos são quase os mesmos. Gosto de vozes femininas, a nova safra de cantoras é muito boa. Roberta Sá, Thaís Gulín, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Isabella Tavianni, Maria Gadú... Na verdade, escuto de tudo um pouco. Nossos grandes compositores, um bom disco de Lenine, de Lula Queiroga, a Orquetrta Spok Frevo de Recife, o povo do samba, Zeca Pagodinho, Almir, Arlindo Cruz, a Marrom (Alcione)... Hiiii, é gente demais pra gente se deliciar.
JC – Muitos criticam hoje o domínio do sertanejo universitário no mercado musical brasileiro. Como você avalia o atual cenário da música no País?
Elba – Bem propício a esse tipo de música, mas isso não quer dizer que não sobre espaço para outros segmentos. O público jovem não detém o poder (no bom sentido), e, mesmo assim, por ser jovem é antenado com tudo que rola no País. Esse mesmo público curte os novos sertanejos e os velhos guerreiros da música popular brasileira. Nenhuma estrela atropela outra no céu. Há espaço para tudo e todos.