08 de julho de 2026
Gastronomia

Tropeiro na mesa


| Tempo de leitura: 5 min

Em algumas cidades mais, em outras menos. Mas o Dia Nacional dos Tropeiros nunca passa em branco. Festas com comida farta e com sustância são o chamariz para reunir muita gente em torno do fogão à lenha ou da pracinha.

O Dia Nacional dos Tropeiros, na maioria das cidades paulistas, gaúchas e mineiras, é comemorado no último dia do mês de agosto com muitas festas.

Comida típica, dança e outras expressões populares fazem a população relembrar o feito dessa brava gente. Que no lombo de burros percorria o Brasil desde o Rio Grande do Sul até as Minas Gerais, levando progresso.

A participação dos tropeiros foi de suma importância para a formação étnica e cultural de todas as regiões. Nos pousos de tropeiros, surgiram muitas cidades brasileiras, como Gramado, na Serra Gaúcha, que tem seu nome ligado ao lugar de descanso desses heróis que há mais de 400 anos percorriam o trecho Sorocaba-Viamão.

Alguns acabavam fixando moradia nesses locais por conta de tantas idas e vindas, dando ali início às atividades de plantio, de criação de gado e até ao estabelecimento de casas comerciais.

Galinhada Tropeira

Receita: Globo Rural

Ingredientes

1 frango pequeno

250 gramas de arroz

¼ de xícara de chá de óleo de urucum

4 dentes de alho picados

3 tomates fatiados

1 cebola grande fatiada

2 colheres de chá de sal

cebolinha a gosto

pimenta a gosto

Modo de preparo

Comece despejando o óleo de urucum na panela. Refogue o alho, a cebola e o tomate. A cebolinha, a pimenta e o sal vão por último. Acrescente o frango.

Se você não tem o frango caipira, pode usar o frango de granja. Só que o frango de granja desmancha mais que o caipira quando vai fazer a galinhada. Então, é bom dourar bem o frango para que ele não desmanche muito.

O arroz vai para a panela logo depois. Acrescente água morna e espere.

Fubá suado

3 copos de fubá

3 colheres (sopa) de óleo

Alho, sal a gosto e água

Colocar o óleo na panela quente. Depois, o fubá e uma pitadinha de sal. Aos poucos, molhar com água ou leite. Mexer até que ele cozinhe. Depois, tampar a panela para o fubá suar.

Feijão-tropeiro

Ingredientes

500 gramas de feijão-carioquinha

500 gramas de toucinho defumado em cubinhos

1 paio em fatias

2 linguiças calabresas defumadas fatiadas

1 pacote de linguiça fininha

1 cebola grande picada

3 alhos bem picados

6 ovos

2 xícaras (chá) de couve picada

Sal e pimenta a gosto

2 dentes de alho picados

Cheiro-verde e coentro picados a gosto

½ xícara (chá) de farinha de mandioca
temperada

1 ½ xícara (chá) de farinha de mandioca torrada

Modo de preparo

Cozinhe o feijão e escorra a água. Reserve.

Ponha o toucinho em uma panela e deixe fritar bem. Reserve. Na mesma panela, frite todas as linguiças e reserve. Escorra um pouco do óleo da mesma panela e frite a cebola, o alho, junte os ovos e mexa bem. Coloque a couve e tempere com o sal e a pimenta. Misture até a couve murchar levemente. Adicione o feijão cozido e a mandioca.

Frango com ora-pro-nóbis

1 frango

Ora-pro-nóbis a gosto

Alho

Sal

Orégano

Urucum

Pimenta-do-reino

Lavar o frango e temperar, no dia anterior, com alho, sal, urucum e pimenta-do-reino. No dia seguinte, fritar os pedaços de frango em óleo quente. Após fritá-los, colocar numa panela óleo, alho, pimentão e cebola. Refogar. Acrescentar o frango. Adicionar mais ou menos 300 ml de água para cozinhar o frango. O ora-pro-nóbis deve estar lavado e totalmente seco. Numa frigideira, coloque o alho e refogue o ora-pro-nóbis picado. Acrescentar gotas de limão ou vinagre. Deixar por uns minutinhos. Logo após, acrescentar o frango, que deve estar acompanhado de angu, feijão batido e arroz branco.

O tropeiro

Misturando o que então se conhecia da gastronomia portuguesa, enriquecida com receitas e uma pitada das tradições indígenas, os tropeiros plantavam o embrião das cidades.

"Nessas paragens distantes, ao redor do fogão improvisado, nasceram pratos que hoje conquistam paladares exigentes". Não é de outro lugar, nem de outro tempo, o feijão tropeiro, o bambá de couve, o virado, o frango ao molho pardo, a costelinha com ora-pro-nóbis, a jacuba, o cubu...


Carne na lata

Para facilitar o transporte das longas viagens, a comida tropeira tinha de ser mais seca. Baseava-se em alimentos não sujeitos à ação do tempo. Carnes salgadas e prontas, guardadas em recipientes com gordura para melhor conservação (como a carne de porco que ganhamos de presente dia desses do grande amigo, engenheiro José Cabral).

Pratos à base de carne-de-sol, charque, toucinho, feijão, farinha, pimenta, café, fubá e coité (molho) compunham o cardápio da tropa.


Arroz Tropeiro

Ingredientes

1/2 kg de carne seca

3 colheres de sopa de toucinho defumado em cubinhos

1 xícara de linguiça de porco picada em rodelas

1 tablete de caldo de carne

2 xícaras de arroz

1 cebola picadinha

2 dentes de alho picadinhos


Modo de preparo

Deixe a carne de molho de véspera

Cozinhe em panela de pressão por 40 minutos

Desfie e reserve

Frite o toucinho em cubinhos, junte a
linguiça picadinha e a carne desfiada

Cozinhe o arroz no caldo de carne

Misture o arroz ao refogado e sirva com salada verde


COMO TUDO COMEÇOU

Em 1728, o tropeiro Francisco de Souza Faria recebeu do Império a missão de abrir caminho da campanha gaúcha ? dos campos de Viamão, no Rio Grande do Sul ? até Sorocaba, no Estado de São Paulo.

Por esse caminho deveriam circular a riqueza representada pelo gado de corte e leiteiro e também as tropas de cavalos. Começava assim, no início do século 18, a façanha dos tropeiros, que foram abrindo caminho e descobrindo belezas naturais e fundando povoados e fazendas, especialmente nas cidades de serra.

Naquela época as viagens poderiam levar mais de dez meses, e o gado tinha de ir recuperando peso pelo caminho.

Estima-se que por esse caminho seguiam por ano mais de 300 mil cabeças de gado.

Bambá de couve

½ kg de fubá de moinha d?água

Tempero a gosto

Couve rasgada

Óleo

Alho

Colocar em uma panela um pouco de óleo e o alho. Deixar aquecer. Em seguida, torrar o fubá. Retirar do fogo e deixar esfriar. Depois de frio, colocar água fria e levar ao fogo. Mexer até começar a ferver, como se fosse um mingau. Colocar os temperos que preferir e também a couve rasgada. Deixar cozinhar bastante. A couve é colocada na hora de servir, para não ficar amarelada.


*Agradecimentos:
Federação das Indústrias de Minas Gerais,
Instituto Estrada Real e
Instituto Euvaldo Lodi-NRMG