Dos 1.772 médicos formados no Exterior inscritos para participar do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), ontem, 148 optaram por fazer as provas da primera fase em Brasília (DF). A aprovação no exame é obrigatória para profissionais que se formaram em outros países e querem trabalhar no Brasil. Na Capital federal, a prova foi realizada no câmpus da Universidade de Brasília (UnB), onde alguns candidatos e vendedores ambulantes começaram a chegar por volta das 7h. Os portões foram fechados às 8h e, até as 8h30, nenhum inscrito havia chegado atrasado.
Aplicado desde 2011, este ano o Revalida atraiu maior atenção devido à polêmica surgida com a iniciativa do governo federal de autorizar profissionais de outros países a atuarem em regiões onde faltam médicos na rede pública de saúde sem se submeterem à prova. Além disso, o número de candidatos este ano (1.851) foi mais de duas vezes maior do que em 2012, quando 922 pessoas se inscreveram. E o número de cidades onde ocorrem as provas quase dobrou, passando de seis Capitais a dez: Brasília (DF); Campo Grande (MS); Curitiba (PR); Fortaleza (CE); Manaus (AM); Porto Alegre (RS); Rio Branco (AC); Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), além de São Paulo (SP), onde foi registrado o maior número de candidatos inscritos (424).
Ansiosos diante da expectativa de ficar das 8h às 13h respondendo às 110 perguntas de múltipla escolha e das 15h às 18h fazendo as cinco questões discursivas, vários candidatos ouvidos pela reportagem comentaram que seria melhor se o exame fosse feito em dois dias.
“Eu diria que o nível (de dificuldade) da prova é bom, nem fácil, nem tão difícil. O complicado mesmo é que ela é cansativa, principalmente por ser feita em um único dia”, comentou Daniel Santos Rodrigues Martins, formado em Cuba há três anos. Ele se submeteu à prova em 2011 e, ontem, acompanhava um grupo de amigos que fazem o exame.
Já atuando profissionalmente, Martins diz não ter enfrentado grandes dificuldades para colocar em prática, no Brasil, o que aprendeu em Cuba. “O ensino lá é muito competente. Hoje, com a globalização do conhecimento, o ensino está bastante uniformizado no mundo inteiro. Em Cuba ou aqui, as referências bibliográficas são basicamente as mesmas e, no caso das especialidades, há parâmetros internacionais”, acrescentou Martins, que disse não ver problemas em médicos estrangeiros contratados para atuar em regiões carentes do País por meio do Programa Mais Médicos serem liberados de revalidarem seus diplomas.
Também formado em Cuba, Luiz Fernado Farias Bisco regressou ao Brasil há poucos meses e fez o Revalida pela primeira vez. “Fui para Cuba atraído pelo reconhecimento mundial da qualidade do sistema de saúde cubano e pela importância que, lá, se dá à atenção primária”, contou Bispo, para quem a polêmica em torno da vinda de médicos estrangeiros e a liberação desses de fazerem o Revalida é fruto de uma “briga política”.