09 de julho de 2026
Política

Propostas são atendidas e funcionários da limpeza encerram a greve

Lilian Grasiela, Vinícius Lousada e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

As propostas (leia abaixo) exigidas pelos trabalhadores da limpeza pública de Bauru foram atendidas e pôs fim à greve que começou nesta segunda-feira (26) e durou três horas.

A informação do fim da paralisação foi confirmada pelo diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Rubens Duque, conhecido como Bino. "Em reunião com o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, e diretores ficou decidido o fim da greve. As reivindicações foram atendidas e todos os funcionários já estão nas ruas", afirma. 

Entre as principais propostas atendidas, ficou acordado que os trabalhadores, exceto chefes, diretores e pessoal de cargo comissionado, receberão abono salarial de R$ 80,00, independentemente da escolaridade, a partir de setembro.

Além disso, a Emdurb aceitou se reunir com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) para uma reestruturação organizacional da empresa. 

Segundo a assessoria da Emdurb, parte dos funcionários da limpeza saiu no horário normal (7h) e realizou a coleta na região central da cidade. O serviço de recolha de lixo já está normalizado. 

Início da greve

Nesta segunda-feira (26), a partir das 6h, funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) cruzaram os braços para cobrar melhorias no Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) da categoria. A paralisação, que durou três horas, afetou o serviço de coleta de lixo na cidade.

Quioshi Goto

Lixo acumulado no Centro ontem antes do início da greve

A paralisação, aprovada no dia 15 de agosto, foi confirmada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) na última quinta-feira, que contou com a presença de 150 trabalhadores. Com o início da greve, deverão ser afetados serviços essenciais como coleta de lixo, capinação e varrição de vias públicas.


Diretores do Sinserm tentaram convencer a categoria a não cruzar os braços, destacando as melhorias que ocorreram nas negociações com o presidente da Emdurb, Nico Mondelli. Os trabalhadores, porém, não recuaram e decidiram se concentrar hoje, às 6h, no pátio da Diretoria de Limpeza Pública (DLP), para iniciar a paralisação.


Durante a sexta-feira e o sábado, diretores da Emdurb conversaram com funcionários para ouvir suas reivindicações. “O sindicato está aberto para discussão mas, até o momento, eles não procuraram a gente ainda. Se eles procurarem, o sindicato vai sentar e vai estar conversando”, declarou o diretor do Sinserm Valdecir Rosa.


Ainda hoje, a empresa poderá apresentar uma proposta que contemple os pedidos dos trabalhadores. Se não houver acordo, o compromisso assumido pelo Sinserm é o de manter o mínimo de 30% de funcionários ativos. À tarde, está prevista mesa de mediação entre representantes da Emdurb e do sindicato no Ministério Público do Trabalho (MPT).


O diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Rubens Duque, conhecido como Bino, revela que, junto com Mondelli, irá conversar pela manhã com os trabalhadores e representantes do sindicato para tentar evitar a greve. “Essa greve está sendo muito prematura porque nós estamos ainda discutindo o PCCS”, diz.


“Na conversa que a gente teve com os funcionários, a gente percebe que eles não estão entendendo o que é um PCCS, que é um plano de valorização global”. Ele explica que, se a decisão for pela manutenção da paralisação, a Emdurb irá priorizar a coleta nos hospitais e Centro, que ontem já acumulava lixo.


“E a gente vai pedir para a população recolher o lixo de volta porque deixar na rua é o pior caminho. As pessoas vão chutar, cachorro vai furar o saco, vai ser um retrabalho. Mas a gente está empenhado para que não ocorra essa greve,”  afirma.


Uma das reivindicações da categoria, segundo Bino, é a valorização de aproximadamente 50 funcionários com mais de dez anos de serviço que têm baixa escolaridade e não têm condições de voltar a estudar. “Conversei com o Nico ontem (anteontem) e ele falou que existe a possibilidade de melhorar alguma coisa”, anuncia. “E na pauta do sindicato, não tinha essa reivindicação. Isso nós coletamos no setor”.

Paciência

Na avaliação do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a greve é ilegal. “Nós entendemos que a greve nesse momento é ilegal. Houve o dissídio em maio e a prefeitura, nos últimos anos, ofereceu uma série de vantagens aos funcionários da Emdurb, entre elas o plano de saúde, que os funcionários não tinham”, afirma.


De acordo com ele, o PCCS ainda está em discussão. “Nós esperamos, nesse momento, um pouco de paciência e boa vontade. Nós queremos que as negociações aconteçam e a gente não vê porque uma greve nesse momento”, diz. “Nós também não estamos dispostos a fazer acordo em relação aos dias parados”.


Se a paralisação ocorrer, o prefeito revela que pretende entrar na Justiça contra o Sinserm para garantir o retorno dos funcionários. “A coleta de lixo, para nós, é um serviço essencial e, se não for revertida essa questão, nós estamos dispostos a contratar uma empresa em regime de emergência para coletar o lixo”, anuncia.


Emdurb critica paralisação

Por meio de nota, a Emdurb informa que tentou reverter a greve e orienta os funcionários a trabalharem normalmente hoje. A empresa conta que o PCCS foi apresentado ao Sinserm na segunda quinzena de julho para expor as melhorias nos cargos e salários e visando ouvir propostas e sugestões da categoria.


Depois, a proposta foi apresentada aos funcionários, por categoria. “Porém, não houve tempo hábil para o término da apresentação devido à pressão do sindicato para entrega da contra proposta”, alega. “A Emdurb respondeu esta contra proposta, ficando à disposição para novas negociações, o que não ocorreu”.


A Emdurb diz que, entre 16 e 20 de agosto, trabalhou para ajustar e melhorar o PCCS, que foi apresentado ao sindicato no dia 21. “Ressalta-se que o Plano apresentado pela Emdurb não tinha um caráter conclusivo, estando em fase de negociação. Porém, a manifestação sindical já veio a título de deflagração de greve”, declara.


A proposta previa pagamento de abono mensal, entre setembro e dezembro deste ano, no valor de R$ 80,00 para os funcionários que atuam em cargos que exigem apenas o ensino fundamental ou ainda no valor de R$ 50,00 para todos os trabalhadores, com exceção dos comissionados e dos que exercem cargos de diretoria.


Em relação ao PCCS - principal ponto de reivindicação da categoria -, a Emdurb propôs garantir aumento de 8% a cada três anos mediante a apresentação de diplomas de aumento na escolaridade por conclusão de ensino fundamental, médio, superior, mestrado ou doutorado. O texto inicial oferecia, no máximo, 2%.


O Sinserm defende ganhos imediatos para os funcionários, a exemplo do que ocorreu com os servidores da prefeitura e do Departamento de Água e Esgoto (DAE), garantia de que o PCCS entre em vigor até o dia 1 de janeiro de 2014 e análise e votação do documento pela Câmara para que ele tenha força de lei.