10 de julho de 2026
Política

Consegs se unem por escola no IPA

Vinicius Lousada com Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Olavo Pelegrina, Maria Helena Malmonge, Jurandir Posca e Marcos Augusto Gomyde afirmaram, no Café com Política, que mudança seria presente e contrapartida para Bauru

Cresce a adesão à proposta de que o antigo Instituto Penal Agrícola (IPA) seja transformado em escola de formação de soldados da Polícia Militar (PM). Os quatro Conselhos Comunitários de Segurança Pública (Consegs) de Bauru manifestaram apoio à ideia e formalizarão o pedido em documento direcionado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Presidente do Conseg Centro-Sul, Olavo Pelegrina conta que a proposta foi recebida com alegria, pois o município, até então, nunca recebeu qualquer contrapartida na área da segurança pública. “Recebemos as penitenciárias 1 e 2, a Fundação Casa e, posteriormente, a mudança do regime para o semiaberto. Parece agora que há uma sensibilização em torno disso”, elenca.

Marcos Augusto Gomyde, que responde pelo Conseg Sudeste, pontua que, por outro lado, a cidade sempre acolheu bem os reeducandos. “As empresas e indústrias contratam essa mão de obra, mesmo após o cumprimento da pena, pois as famílias desse pessoal criam vínculos e se fixam em Bauru ao longo dos anos”.

Responsável pelo Conseg Noroeste-Oeste, Jurandir Posca afirma que o controle de saída e entrada de reeducandos é falho e, no caso do Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP-3), o antigo IPA, cria temor entre os empresários do Distrito Industrial 3, que fica próximo à unidade.

Por outro lado, Maria Helena Menezes Malmonge, do Conseg Leste/Norte, acredita que a escola de soldados trará avanços do ponto de vista social para a cidade.

Olavo Pelegrina frisa ainda que a mudança no antigo IPA também resgataria a tradição bauruense na formação de policiais.

Nesse mesmo sentido, Posca lembra que, nos últimos anos, três comandantes-gerais da Polícia Militar do Estado de São Paulo possuíam laços com o município: Elizeu Eclair Teixeira Borges, Pedro Batista Lamoso e o atual, Benedito Roberto Meira. “Temos um vínculo muito forte com a instituição e Bauru tem todas as condições de receber essa escola”, garante.

Outros tempos

Além da contrapartida que seria oferecida ao município pelos impactos na segurança pública, ponto consensual entre os presidentes de Consegs, Olavo Pelegrina argumenta que o IPA perdeu sua razão de existir.

“O modelo da unidade está superado, pois a experiência na área agrícola não atende mais às necessidade do mercado paulista, que não vai absorver essa mão de obra”, avalia o presidente do Conseg Centro-Sul.

Apoio

A Câmara Municipal já aprovou moção de apelo com o mesmo objetivo. Além disso, a Associação dos Policiais Militares da Reserva, Reformados, da Ativa e Pensionistas da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Aipomesp), a Associação dos Cabos e Soldados (regional Bauru), a Associação dos Subtenentes e Sargentos (regionais Marília e Bauru) e a Associação de Defesa dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (Adepom) somaram forças e recolhem assinaturas para um abaixo-assinado.

“A notícia está no ar há quase dois meses. A unidade de formação de soldados mais próxima que temos é em Pirituba. Aqui em Bauru seria a segunda escola de formação de soldados no Estado, um ganho muito importante para Bauru e região. Aqui podem ser formados até 1 mil policiais por ano”, disse Gonçalo Branco Neto, diretor-presidente da regional Bauru da Aipomesp.

Para Pedro Viana Filho, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos (regionais Marília e Bauru), mais 1 mil policiais formados significa mais efetivo, ou seja, mais segurança em Bauru e região.

“Durante a preparação existe o período que eles executam o que aprenderam na teoria e então vão para as ruas. Além disso, os policiais se sentirão mais motivados a fazerem o curso, por ficarem mais próximos de suas famílias, no Interior do Estado, sem precisarem ir para a Capital”, apontou.

Além de promover o abaixo-assinado, as entidades estão em constante contato com deputados e até com o próprio governador, Geraldo Alckmin.

A Igreja Maronita, Paróquia de Nossa Senhora do Líbano de Bauru, da Eparquia Maronita do Brasil,  também oficiou o tucano reforçando o pedido.


Embrião

Conforme revelado pelo JC, cogita-se transformar o CPP 3, antigo IPA, em uma escola de formação para cerca de 1 mil soldados. Essa capacidade é quase a população carcerária do complexo, que hoje conta com 1.070 reeducandos.Com uma logística perfeita, bem no centro do Estado e tradição na Polícia Militar paulista (Bauru tem um dos batalhões pioneiros), a cidade poderia receber candidatos de todas as regiões do Estado, num raio 250 a 300 quilômetros, e até interessados de estados vizinhos. Em Rio Preto, a mudança deu certo. Como o IPA passou a ficar muito próximo do centro urbano, começou a discussão da desativação da unidade por conta da grande valorização do mercado imobiliário na zona sul do município.

Após entendimentos entre prefeitura e Estado, a área foi entregue ao município para abrigar um Polo Tecnológico, que ainda será instalado. Assim, foi viabilizado o encerramento do IPA rio-pretense e a transferência dos presos para outra unidade, construída na rodovia de acesso à cidade de Onda Verde, com estrutura mais moderna.


Câmara de Agudos

A Câmara Municipal de Agudos também divulgou nota em apoio à transformação do antigo IPA em uma escola de soldados da Polícia Militar. O documento foi encaminhado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Presidente do Legislativo da cidade vizinha a Bauru, Auro Octaviani afirma que a solicitação contribuiria com o desenvolvimento da cidade de Bauru e de toda a região, pois é coerente com uma das principais vocações na atualidade: a prestação de serviço em educação.

Auro Octaviani ressalta também que Bauru já colabora com a recuperação de reeducandos em seus estabelecimentos prisionais.