O que seria mais um roubo à mão armada com cárcere privado e vítimas feridas teve um final um pouco melhor na madrugada de ontem, em Bauru.
Após uma mulher ouvir por meio do celular o instante em que seu noivo era assaltado do outro lado da linha, a polícia foi acionada e conseguiu chegar a tempo de surpreender os bandidos saindo do local.
Na chácara, localizada no bairro Águas Virtuosas, a Força Tática da Polícia Militar (PM) prendeu quatro acusados: Renato Bazaglia Costa, 24 anos; Paulo Henrique Nascimento Cardoso, 20 anos; Gabriel Henrique Palma da Silva, 18 anos, e Eduardo Borges Melgar, de 19 anos, vulgo “Chacrinha”.
|
Malvolta Jr. |
|
|
|
Veículo ?agrado com assaltantes estava cheio de equipamentos eletrônicos e objetos das vítimas |
Os quatro homens foram detidos quando saíam da chácara com três carros, sendo dois das vítimas – um Agile cinza e um Clio preto – repletos de equipamentos eletrônicos e outros objetos, como roupas e até um violão.
Um quinto suspeito também acabou se entregando logo no início da manhã, após a polícia encontrar o celular dele dentro do carro utilizado no assalto.
Um detalhe intrigante é que esse quinto suspeito, identificado como Jevan Rodrigo da Silva, de 21 anos, trabalhava justamente como pedreiro para os moradores do imóvel há cerca de um mês (leia mais abaixo).
Dos quatro acusados, apenas um possui passagens pela polícia, segundo a PM, o “Chacrinha”, que teria cumprido pena por roubo quando ainda era adolescente.
Na Central de Polícia Judiciária (CPJ), eles tiveram a prisão ratificada por roubo qualificado e formação de quadrilha e, ainda ontem, seguiriam para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.
A polícia investiga ainda a participação de outros dois homens no crime, que teriam fugido e se embrenhado no mato no momento das abordagens.
A Polícia Civil acredita que o bando também tenha participado de roubos a residências no Centro de Bauru, dentro dos últimos 15 dias.
Incialmente, comentava-se a possibilidade do grupo ter relação com os arrastões praticados na região central e na zona sul da cidade nos últimos dias (leia mais abaixo).
Flagrante
O crime aconteceu quando F.N.A.S., 30 anos, e L.C.S., 29 anos (a identidade das vítimas será preservada por segurança), estavam na chácara se preparando para dormir e foram abordados por cinco ou sete homens, dois deles armados com um revólver calibre 22 e um “garruchão” municiado com bala calibre 38.
Conforme o JC apurou, eles teriam invadido o local pela porta da cozinha, que estava aberta. Em seguida, teriam exigido que as vítimas deitassem ao chão e que um deles jogasse o celular que estava na mão. Logo depois, os fecharam em um banheiro do imóvel, para recolher os objetos de valor.
Porém, um detalhe despercebido pelos bandidos e importante para o êxito da operação foi que o celular não havia sido desligado e, no outro lado da linha, estava uma pessoa com chamada em andamento. Ela acionou a polícia por meio do telefone de emergência 190.
Contato
A ligação da testemunha caiu no Copom da Capital, que registrou o caso e imediatamente encaminhou a Bauru, que acionou equipes da Força Tática pela rede de rádio. O Copom de Bauru também fez contato com a testemunha, para orientar as equipes quanto à localização precisa da chácara, considerando que sem este auxílio o desfecho da ocorrência poderia ser outro, devido à dificuldade de se encontrar uma entre tantas propriedades rurais.
Na ocasião, 17 policiais militares da Força Tática seguiram para o local e, diante da porteira, localizaram um veículo Gol branco, com placas de Bauru, ocupado por Eduardo Borges Melgar que, inicialmente, alegou ter decidido passar a noite ao relento por conta de um desentendimento com a namorada, o que não convenceu os policiais.
Logo em seguida, as luzes da chácara se apagaram e os policiais avistaram dois veículos, o Agile e Clio – que são das vítimas – deixando o imóvel em uma espécie de comboio e aguardaram uma oportunidade para abordá-los.
Neste momento três pessoas foram vistas conseguindo fugir, pulando as cercas. Já os outros quatro acusados foram detidos. Apesar dos assaltantes estarem armados, não houve troca de tiros.
Conexão?
Inicialmente a suspeita levantada pelos policiais militares era de que o grupo seria responsável por uma onda de arrastões que deixou moradores e pedestres da região central em alerta nos últimos dias.
Não bastassem as características físicas dos envolvidos e de uma das armas encontradas em poder deles ser um revólver cromado de cano longo, três dos envolvidos são moradores da região central. Chacrinha, que leva uma tatuagem com seu apelido no antebraço esquerdo, seria morador do Núcleo Geisel e Jevan, do Tangarás.
A possibilidade, contudo, foi descartada pelo delegado plantonista Paulo Calil, que informou que a suspeita é de que eles tenham realizado roubos a residências. O caso será encaminhado para investigação pelos agentes da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Pedreiro da chácara confessa envolvimento
Momentos após o flagrante dos quatro assaltantes, em diligência realizada pela Força Tática no automóvel que estava com um dos bandidos, um Gol branco, a polícia encontrou o celular do quinto suspeito: Jevan Rodrigo da Silva, de 21 anos, que trabalhava como pedreiro em uma obra de reforma na chácara.
Localizado por meio de seus familiares, Jevan compareceu à Central de Polícia Judiciária (CPJ) na manhã de ontem e confessou a participação no crime.
“Ele assumiu que a garrucha era dele e que levou os comparsas até a chácara em questão, mas ficou aguardando a ação do lado de fora. Acreditamos que ele seja um dos mentores, já que tinha informações privilegiadas sobre as vítimas e o local”, afirma o comandante do 1º Pelotão da Força Tática, tenente Bruno Mandaliti Scarp.
Conforme as vítimas, Jevan trabalhava há um mês como pedreiro na chácara e terminava a construção de um canil. Na manhã seguinte ao crime, ele não compareceu ao trabalho, fato que chamou a ainda mais a atenção dos policiais que atuavam no caso.
Leia também
Vítimas relatam momentos de terror