09 de julho de 2026
Nacional

Com inflação elevada, consumo das famílias fica praticamente estagnado

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Motor da economia brasileira nos últimos anos, o consumo das famílias já não mostra o mesmo vigor e está praticamente estagnado há dois trimestres diante de uma inflação mais elevada e do rendimento e do emprego em desaceleração. Após ficar estável nos primeiros três meses deste ano, o consumo das famílias variou positivamente 0,3% de junho a abril frente aos três meses anterior.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) só considera um crescimento, de fato, uma taxa superior a 0,5%. “O consumo das famílias ficou mais ou menos no mesmo patamar do primeiro trimestre”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Para a técnica do instituto, a inflação maior neste ano inibiu o consumo, ao lado de um mercado de trabalho que dá sinais de enfraquecimento. “A massa salarial continua crescendo, mas já não mais no mesmo ritmo de antes.”

Outro fator, diz, é o crédito a pessoas físicas, que também perdeu fôlego e avança numa velocidade menor. A massa salarial (soma dos rendimentos recebidos por todos os trabalhadores) subiu 2,1% na comparação com segundo trimestre de 2012. Já as operações de crédito avançaram 8,5%, em termos nominais (sem descontar a inflação).

Em relação ao segundo trimestre de 2012, o consumo das famílias segue em alta, com expansão 2,3% - variação, porém, inferior a do PIB (3,3%). Foi a 39.º alta consecutiva nessa base de comparação.

Para Pailis, o consumo ainda é importante para o resultado do PIB diante do seu peso - cerca de 60% -, apesar de estar em desaceleração.

A LCA considera o desempenho do consumo “modesto” e prevê um crescimento de 2,2% para o PIB como um todo neste ano, após a divulgação dos dados do segundo trimestre.


Resultado surpreende economistas

O crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre em relação ao período anterior surpreendeu a maioria dos economistas presentes ao congresso do mercado de capitais da BM&FBovespa, que esperavam na média um resultado em torno de 1%.

Apesar de ser considerada uma boa notícia, os participantes do evento disseram que se trata de um retrato do passado porque os indicadores de produção e confiança na economia, mais o cenário internacional, se deterioraram em julho e em agosto -meses cuja produção será medida no PIB do terceiro trimestre.

“Veio (o PIB) mais forte do que se esperava. Mas é um pouco como olhar para o retrovisor”, disse Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá investimentos.

“Estamos olhando para o retrovisor”, disse o economista Persio Arida, sócio do banco BTG Pactual e um dos formuladores do Plano Real.

Para a economista Monica de Bolle, da consultoria Galanto, o resultado surpreendeu positivamente, mas representa “um espelho do passado”. “Em alguns casos, o passado traz informações importantes sobre o que vem pela frente. Esse não é o caso do Brasil. A gente teve no início do segundo semestre foi uma descontinuidade não só na economia brasileira como no quadro político e social do País”, disse.

Bolle disse acreditar que o PIB do terceiro trimestre fique perto da estabilidade em relação ao período anterior dadas as dificuldades enfrentadas. “No meu melhor chute, diria que está paradão. Não me parece que está indo para trás nem para a frente. A cara é que está tudo parado.”

Para o economista Alexandre Schwartsman, o governo passa por uma crise de credibilidade na condução da política econômica.