11 de julho de 2026
Polícia

Operação Conjunta da Polícia Federal e Receita Federal desmonta "Feirinha do Brás"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação/Receita Federal

Operação Conjunta da Polícia Federal e Receita Federal desmonta “Feirinha do Brás”

Eram 11h da manhã e alguns comerciantes ainda montavam suas bancas quando chegou a fiscalização. A “Feirinha do Brás” foi praticamente fechada na manhã deste sábado (31) em Bauru, no Recinto Mello Moraes.

Anunciada como a tradicional Feira da Madrugada do Brás em Bauru, onde produtos eletroeletrônicos, roupas, acessórios, bijuterias poderiam ser comprados com o mesmo valor que se encontra na região do Brás em São Paulo, a Feirinha foi desmontada às pressas.

Era o reflexo de uma blitz conjunta da Polícia Federal, Receita Federal e fiscais do governo do Estado, responsáveis pela arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) que é cobrado em esfera estadual. “Foi um perereco, gente jogando as mercadorias por cima do alambrado e saindo com o carro, com caminhão”, conta um segurança do local que presenciou a cena, quando os policiais chegaram e, não quis se identificar.

Eram 230 barracas participando da Feira no Recinto Mello Moraes, que começou na sexta-feira. Houve uma evasão geral. Daquelas que órgãos públicos conseguiram fiscalizar, só “duas ou três estavam em situação legal”. Dez delas tiveram seus equipamentos apreendidos. Lacradas e com a origem das barracas identificadas, as caixas iam sendo colocadas num caminhão requisitado para o transporte das mercadorias, levadas para o depósito da Receita Federal.

O alvo principal foram os importados, especialmente os trazidos do Paraguai. Mais de 90% dos comerciantes não tinham nota fiscal e nem poderiam comprovar a origem das mercadorias. “Se os comerciantes foram embora, é porque não estavam em situação regular, claro,” avaliava o delegado-adjunto da Receita Federal, Luiz Anézio, para quem não foi possível ainda identificar o valor das mercadorias apreendidas.

“Foram apreendidas várias caixas com relógios, celulares importados, foram muitas as mercadorias que vamos avaliar depois, mas o valor é grande”. Agora, em conjunto com a Polícia Federal, os donos das mercadorias serão chamados para apresentar a documentação de importação, quando for o caso, ou a origem se for no Brasil.

 

Horas depois

Não levou nem três horas após a saída dos policiais - que ocorreu por volta das 13h - e o que era deserto voltou a ter movimento. Os caminhões e vans voltavam carregados de mercadorias e as barracas acabavam sendo remontadas. Muitos dos comerciantes traziam também suas mercadorias em carrinhos de mão.

E assim, às 15h, 120 das 230 barraquinhas já estavam remontadas. E o público, aproveitando a tarde quente, comparecia em massa. Pula-pula distraía a criançada, enquanto as mães, o público feminino principalmente, se acotovelava nos corredores debaixo das tendas para aproveitar as ofertas de roupas masculinas e femininas. Havia também infantis. Brinquedos e acessórios. De fato, os eletrônicos sumiram.


Área reservada aos bauruenses

Antonio Carlos Bueno e Iraildes Santos, organizadores da feira, observam que, quando uma quantidade de comerciantes dessa chega na cidade, não chega sozinha. Cada um traz família, ajudante, portanto, ganham também o restaurante e os hotéis locais. Os dois lembraram ainda que fizeram convite para o comércio de Bauru aderir. “Temos 12 expositores da cidade”. Um comerciante abordado, do ramo de confecções, que também tem sua loja junto a um dos grandes supermercados da cidade, não quis falar à reportagem sobre os benefícios de participar de um evento como esse.


Representantes se defendem

No local, dois representantes da Emerson Pereira Tricot Eventos, organizadora da feira, faziam questão de se defender. À reportagem do JC,  Antonio Carlos Bueno, o Badaró, e Iraildes Santos contavam sua versão. “É denúncia, perseguição, recebemos 70 mil denúncias de comerciantes incomodados com o que fazemos”, dizia Santos. Badaró  fez questão de mostrar à reportagem o alvará de funcionamento do evento,  afixado na entrada. “Temos tudo regularizado junto à prefeitura, temos bombeiros de plantão, ambulância salva-vidas. E se a pessoa quiser,  também emitimos cupom com a nota fiscal eletrônica”.


Susto para muitos

Badaró lembra que há, sim, comerciantes que cometem delitos. “Há, claro, aqueles que vendem produtos irregulares, esses sabem que não é para ser assim e correm o risco de perder  mercadoria, de serem fiscalizados, seja aqui ou na rodovia. Para eles é perigoso. Mas isso não invalida o que fazemos,  a nossa estrutura é completa”. Ele lamentou que nem todos tenham voltado. “Muitos foram embora porque ficaram com medo, mas quem vem aqui encontra a mesma coisa que em São Paulo”, garantiu.

“Eles (os fiscais) vieram em muitos, assustaram muita gente, alguns foram embora e não voltam mais. Isso é prejuízo na certa, outros estão voltando”, observou ontem à tarde. Entre os que voltaram, ninguém quis falar à reportagem.

Por outro lado,  Badaró  citou que o evento “tinha tudo para dar muito certo”, porque o anterior já havia sido um sucesso. Mas foi realizado no Rastro do Cowboy e lá houve problema de acesso dos automóveis. “Ninguém tinha onde estacionar, foi muito difícil. Aqui no recinto tem toda a infraestrutura”.

 

Veja vídeos da operação: