11 de julho de 2026
Política

Criador do fenômeno 'Dilma Bolada' fala ao JC

Por Vinicius Lousada | colaborou Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 9 min

Aceituno Jr.

Carioca Jeferson Monteiro, de 23 anos, criou a personagem que já

 tem mais de 700 mil seguidores em redes sociais

Você já imaginou a presidente Dilma Rousseff (PT) dando broncas homéricas em seus ministros? Ou se exercitando correndo com uma família de emas pelos jardins do Palácio da Alvorada? Já pensou ainda na petista telefonando para a rainha Elizabeth, da Inglaterra, ou para Crtistina Kirchner ou Barack Obama só para tirar um sarro?

Se não, basta procurar nas redessociais os perfis deDilma Bolada, personagem fictícia inspirada na chefe da República brasileira, que relata todas as suas artimanhas, enaltece seu governo, “samba na cara” da oposição e ainda se autodenomina como a Rainha das Américas.

Por trás da excêntrica personagem, que também se comunica via Skype com chefes de Estado de todo o mundo e cantoras da música pop, como Katy Perry, Lady Gaga e Ivete Sangalo, está Jeferson Monteiro, carioca de 23 anos e admirador declarado da presidente Dilma.

Ele participou ontem do Blogando 2013 e contou ao JC o que motivou a criação da personagem, a relação com pessoas próximas a Dilma, expectativas para a personagem com o processo eleitoral do ano que vem e a recente queda na avaliação pessoal da presidente.

 

Jornal da Cidade - A intenção ao criar a personagem era só fazer humor ou provocar algum efeito social e político?

Jeferson Monteiro - A primeira intenção foi assegurar o endereço no Twitter que era muito parecido com o oficial da Dilma. Em vez da letra L, usei a letra I em caixa alta no nome da presidenta. Fiz para que ninguém conseguisse criar para usar indevidamente, tanto que ficou guardado por um tempo e, no começo, foi algo muito tímido com poucas postagens. Depois, vi que aquilo estava gerando um interesse grande e decidi escrever mais. Comecei com o humor, que é a estratégia que mais faz dar certo. Queria ser convidado para festas legais porque é algo que geralmente acontece nas redes sociais.

 

JC - Mas a proposta, depois, tomou dimensões bem maiores...

Jeferson - Não esperava uma proporção tão grande. As coisas foram acontecendo sem muito planejamento. O primeiro respiro, o choro do nascimento da personagem foi justamente para proteger a imagem da presidenciável na campanha de 2010. Em ano eleitoral, muita coisa ruim pode ser feita nessa área da política com o uso indevido do nome de um candidato.

 

JC - Como foi a composição das características - tão excêntricas - da Dilma Bolada?

Jeferson - Sempre gostei da Dilma. Eu que criei a primeira comunidade no Orkut para ela, quando ainda era ministra. A fama dela sempre foi de ser técnica, competente e extremamente severa. Eu tinha que expressar isso de uma forma divertida. Trouxe a questão da ironia. É uma chefe que dá bronca. Para quem leva a bronca, é um pouco chato. Mas para quem “assiste”, é maravilhoso. E falam que é muito parecido com o jeito dela mesmo. As pessoas que conhecem me contam isso. Mas tudo saiu da minha cabeça. Nunca tive contato e acabou coincidindo com a personalidade dela.

 

JC - Quem são essas pessoas que te fazem esses relatos?

Jeferson - São funcionários do Planalto que não se identificam. Eu recebo muitos e-mails. Às vezes eu falo com o Padilha (ministro da Saúde, Alexandre Padilha). Ele é ótimo. É um dos que mais interagem por ser usuário de rede social muito ativo, responde às pessoas. Foi um dos primeiros ministros a seguir. Também tem o Paulo Bernardo e a Maria do Rosário, que interagem, mas com menos frequência. Eles falam que todo mundo acompanha. Recentemente, me disseram que ela mesma conhece e gosta. A semelhança das características da personagem com as da Dilma, nos trejeitos, no tom, fez com que os políticos, de forma geral, acompanhassem.

 

JC - E quando deve acontecer o encontro com a presidente?

Jefferson - A imprensa vem tratando desse encontro meu com ela, e isso já saiu em grandes jornais. Ela já tem conhecimento, e já sei que ela gosta dos conteúdos postados. E há até mesmo quem não gosta da Dilma real, mas acompanha a Dilma Bolada. Estes dias, eu recebi uma mensagem assim - “eu nunca gostei da Dilma, nunca votei no PT e nem vou votar, mas eu sigo a  Dilma Bolada porque eu gosto e é muito bom”. Enfim, o público que segue a personagem é muito diversificado. Então, a necessidade é atender todos os públicos.

 

JC - Muita gente da oposição, ou mesmo que não gosta da Dilma, entra nas páginas criadas por você para criticá-la?

Jeferson - Tem muita gente sim, inclusive que não gosta da personagem, que acha que é uma página da Dilma, ou de propaganda governamental a favor dela. E ainda, pela proporção que as páginas têm e pelo tanto de seguidores, as pessoas acabam aproveitando pra fazer reivindicações. Eu recebo muitos pedidos a respeito de postagens sobre um problema x ou y. Só que se eu for fazer postagem disso tudo, vou fugir à proposta de humor. Mas, se eu realmente achar que seja alguma reivindicação de extrema importância e que tenha que ser levantada, eu até posso, pontualmente, expor um assunto que pode levar um questionamento. Mas a função da Dilma Bolada é de entreter - isso envolve informar, se divertir etc. E sem falar que, quando divulgo as situações do dia a dia real da Dilma, mas de uma forma bem humorada, acabo levando mais informações para as pessoas. Pois eu acho que é muito mais interessante e prazeroso ter contato com um texto assim, em que você sabe que vai se divertir, do que um texto mais técnico sobre a presidenta.

 

JC - Como você lida quando aparecem situações um tanto desfavoráveis a ela, como foi o caso de movimentos populares recentes nas ruas que pediram melhorias no governo?

Jeferson - As manifestações foram um grande ‘teste’ até mesmo para o ano que vem - foi uma ‘crise’ que eu tive que administrar com a personagem. Pois até então eu falava de uma mulher que tinha mais de 90% de aprovação e era tida como uma das melhores presidentas do País. E então, de repente você vê isso tudo desfeito, e então eu tive um ‘baque’. Eu tinha algumas opções - ou eu virava o jogo, ou virava casaca... Mas decidi que iria tratar o assunto com naturalidade, e passei a tentar transmitir o que eu queria que a Dilma falasse para o povo neste momento de manifestos. Quando ela foi vaiada, a personagem mostrou toda sua ira - “estou boladíssima”.

 

JC - Recentemente, uma postagem da Dilma Bolada que criticava o senador Aécio Neves foi removida pelo Facebook. Quais foram os desdobramentos deste caso?

Jeferson - Isso ganhou repercussão da Folha de S. Paulo. Eu fiquei chateadíssimo porque abriu espaço para censura. Era um post inofensivo, que falava do Aécio ser réu em uma ação que o acusava de desviar R$ 4 bilhões da Saúde. Brinquei depois de uma propaganda partidária em que ele criticava duramente o governo. O post sumiu depois de três horas. Escrevi um relato impessoal, não como Jeferson nem como Dilma Bolada, me dirigindo ao povo brasileiro e à diretoria do Facebook, que respondeu que não se pronunciava sobre casos isolados, mas a vida deles virou um inferno por causa das cobranças. Eu ameacei deixar o Facebook e utilizar outras redes, até que eles publicaram uma nota pedindo desculpas, reconhecendo erro, e o post voltou. Não houve desobediência a nenhuma regra da empresa, mas não soube de detalhes do porquê da exclusão. Mas acho que ficou de lição.

 

JC - Está tomando alguma precaução para o período eleitoral do ano que vem?

Jeferson - O que eu faço hoje não é nada fora da lei, nem será no período eleitoral. Deixo claro que é uma personagem de ficção e é assegurado a mim o direito de liberdade de expressão. Esse direito é constitucional e prevalece sobre qualquer outra lei. Além disso, é algo natural e espontâneo. A Dilma Bolada não foi criada para a eleição, então, acredito que não haverá problemas. E se houver, acho que vai dar mais dor de cabeça para quem fizer algum tipo de questionamento.

 

JC - Acredita que sua personagem pode interferir no processo eleitoral?

Jeferson - Acho que não. Apesar do número grande de seguidores (700 mil), o colégio eleitoral brasileiro, de 120 milhões de pessoas, é muito maior. Não posso afirmar nada porque exigiria um estudo. Há, inclusive, um mestrando pesquisando justamente esse assunto. Mas, se houver impacto, não vejo problema. Estou fazendo algo que é direito meu. Se a oposição for prejudicada por isso, incompetência dela, que não conseguiu sequer bater no fake da Dilma, muito menos dela.

 

JC - Mas há pessoas que passam a simpatizar com a Dilma por causa da Dilma Bolada?

Jeferson - É uma personagem de ficção. As pessoas sabem que não é verdade, mas se simpatizam com a presidente por causa da Dilma Bolada, é uma questão de cada um. Eu não votaria em um candidato por causa de um personagem em internet. Para escolher alguém, tem que conhecer propostas.

 

Merendeiras na rede

Está mais do que provada a ampla função das redes sociais. Desde 2010, as merendeiras da Secretaria Municipal de Educação de Bauru mantêm um blog, onde compartilham fotos de suas confraternizações, mensagens motivacionais e, é claro, receitas deliciosas.

A ferramenta tem como objetivo engajar todos os profissionais do Departamento de Alimentação Escolar em um trabalho dinâmico de aprendizagem e formação constante, com muita criatividade, cujo resultado visa o cumprimento da principal missão das merendeiras: proporcionar uma alimentação de qualidade para os alunos.

A iniciativa chamou a atenção da produção do Esquenta!, da TV Globo, e em breve, uma das merendeiras deve participar da gravação do programa, ao lado da apresentadora Regina Casé.

 

Blogando 2013

A segunda edição do Blogando foi realizada ontem, no Sesi de Bauru, e recebeu mais de 100 participantes. Entre os assuntos discutidos esteve a comunicação por vídeos na internet, que gerou a indagação: “Seria o Youtube a nova TV?” Propriedade de conteúdo na web, humor e engajamento nas mídias sociais também pautaram debates e palestras ao longo da manhã e da tarde deste sábado.

Os convidados da edição de 2013 foram Rafucko, Daniel Curi (Canal Parafernalha), Mackeenzy (Videolog), Alexandre Inagaki, Carlos Cardoso, Jeferson Monteiro (Dilma Bolada), Alessandra Siedschlag, Carla Averbuck, Liliane Ferrari, Paula Bastos e Marina Iris.