Apenas dez meses depois de ter pisado no palco do Teatro Municipal de Bauru, o jornalista Nélson Itaberá Gonçalves põe na rua seu lado compositor com mais um trabalho autoral. Na próxima quarta-feira, às 20h30, ele retorna ao palco do Teatro para lançar as 12 novas composições que integram o CD Linguagens.
Neste trabalho, o jornalista-compositor continua a perseguir a abordagem em três gêneros musicais em um único trabalho, com músicas que percorrem o universo da MPB, samba-canção e cancioneiros regionalistas. A influência da vida no campo, de sua origem em Itaberá (SP), continua presente, mas desta vez em uma pesquisa de linguística em torno dos dialetos regionais.
Em Linguagens, Nélson Itaberá se apropria da formação acadêmica em comunicação social na Unesp Bauru para costurar, nas músicas, as relações semânticas em torno da pluralidade cultural brasileira. O resultado é um disco autoral que trabalha com metonímias e metáforas, “brincando” com a riqueza da Língua Portuguesa.
Pesquisas
O autor – jornalista do Jornal da Cidade e TV Câmara - conta que, desta vez, partiu para pesquisas de campo para a produção das letras e músicas. “No Pedra Brilhante, produzi, por exemplo, ‘Fala sorriso’ como uma trilha sonora de um documentário de TV. No Linguagens pesquisei, a partir da região de Careiro Castanho (AM), os diferentes dialetos brasileiros. Daí saiu ‘Sinônimos’, uma pesquisa do dicionário das ruas, nas diferentes regiões”, conta.
Da veia regionalista, Nélson Itaberá produziu “Ai, tô com saudade” com terminações em “eira” nos versos, outra pesquisa verbal de campo para discutir o universo bucólico e sua amplitude de tradições. Em “Metafomorse”, o autor também experimenta a dupla metáfora da mocinha que se torna mulher e do casulo que se transforma em borboleta, uma desfragmentação verbal da própria palavra “Me-ta-mor-fo-se”. “Neste desenvolvimento entre o casulo no campo e a mocinha que desabrocha nasce a correlação verbal, como se a meta fosse o amor, metamorfose”, menciona o compositor ao falar de uma de suas letras no CD.
Maná
Itaberá se vale do mesmo experimento de fragmentação linguística na música “Maná”, uma MPB com suingue djavaniado. “Essa canção veio de uma visita ao supermercado. Eu vi o cartaz de uma ONG escrito ‘Amanhecer’. Fiquei com isso na cabeça e fui decompondo o radical principal da palavra em ‘amanhã, manha de ser manhã, amanheceu, mania maná de ser...”, menciona.
Na música “Contracultura”, o jornalista-compositor construiu uma crônica musicada somente a partir de expressões que começam com “c”. “Eu gosto muito do Rolandro Boldrin e na canção Contracultura proponho despertar para a provocação literária, com humor, em torno de um caipira rico em tradição verbal e de conteúdo, ao contrário do arquétipo do Jeca Tatu que a literatura rotulou, de certa forma, na obra de Monteiro Lobato. Ao contrário do tipo ‘coió, caduco, chucro, carrancudo’ disseminado por Amâncio Mazzaropi no cinema, a música quer chamar atenção para um ‘caipira do conto, causo, cadência, contextualizado em costume, conteúdo cultural’, tudo com “C” na letra, para reafirmar essa gigantesca riqueza regionalista”, aborda.
Serviço
Ingressos à venda no Bar do Português, na rua Benjamin Constant, 10-45, no Higienópolis. O valor da entrada é R$ 15,00. O CD Linguagens, assim como a primeira obra autoral (Pedra Brilhante), já está à venda nas lojas da Empório Cultural (no Bauru Shopping e na Getúlio Vargas) e da Jalovi (lojas do Altos da Cidade e Bauru Shopping). Informações: (14) 9794- 8982
Produção
O show de lançamento tem a direção musical de Josiel Rusmont, produtor que assina a elaboração do CD em estúdio juntamente com o professor e músico Kleber Gaudêncio. O formato acústico tem, ainda, as presenças no palco de Chiquinho Garcia (violão e baixo), Henrique Oliveira (percussão e bateria), Rogério Plaza (acordeon) e Kátia Castilho (back vocal). O trabalho tem apoio cultural do Jornal da Cidade, do Supermercados Confiança, da Secretaria Municipal de Cultura e CriaSom Estúdio. A produção de cenografia é do grupo Moitará. As fotos são de Mariana Luz, a arte de Cintia Cavalcanti e o conceito do encarte da jornalista Luciana Gonçalves.