11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ásia ultrapassa Mercosul como maior destino de mercadorias bauruenses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

As indústrias de Bauru estão expandindo, cada vez mais, suas fronteiras. No último ano, as exportações do setor se intensificaram com países da Ásia, que ultrapassou o Mercado Comum do Sul (Mercosul) como o principal destino das mercadorias fabricadas na região. A informação é da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Industrial brasileiro.

Embora membros do bloco econômico sul-americano como Argentina e Uruguai continuem no ranking dos dez países que mais recebem produtos bauruenses, a intensidade destas transações arrefeceu entre 2012 e 2013. O valor das remessas em dólares para a Argentina, por exemplo, caiu quase 48%, comparando números dos primeiros sete meses do ano passado com o mesmo período deste ano.

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Estação aduaneira de Bauru: exportações passaram de US$ 117,985 milhões para US$ 131,122 milhões de janeiro a julho

Já as exportações junto ao Paraguai - que foi suspenso do Mercosul em meados do ano passado - caíram 37,8%. As vendas para o Uruguai foram reduzidas em 27,8% e, para a Venezuela, em 22,5%. Em sentido oposto, as transações com alguns países asiáticos só se intensificaram.

A Índia, por exemplo, passou a gastar 143,3% mais com a importação de produtos da região. Entre janeiro e julho de 2013, Hong Kong comprou mais do que o dobro (108%) do montante adquirido no mesmo período do ano passado. Bauru também vendeu 86,6% mais para Singapura e 80,2% mais para as Filipinas.

De acordo com Gerson Mori, coordenador do Grupo de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, o fenômeno tem dois principais explicações. A primeira delas é o amadurecimento das empresas brasileiras, que até então possuíam relações restritas junto aos países vizinhos e, agora, expandiram seus negócios ao redor do mundo.

Relações estremecidas

A segunda é o desenvolvimento econômico de muitos países da Ásia, que passaram a demandar matérias primas produzidas pela região, entre elas o aço. “A China, por exemplo, é um grande importador deste tipo de produto”, argumenta o Mori.

Ele acrescenta ainda que a saída do Paraguai do Mercosul (leia mais abaixo), no ano passado, estremeceu as parcerias comerciais com o Brasil, incluindo o setor industrial de Bauru. “Fora do bloco, o sistema de cobrança de tributos (para exportação e importação) muda. E, por esse motivo, pode ser que muitos contratos não tenham sido renovados”, detalha.

De acordo com o especialista em comércio exterior, a Argentina também tem adotado uma política protecionista agressiva, impondo uma série de barreiras não tarifárias e cotas para limitar as exportações. “E, nesse sentido, o Brasil tem respondido à altura, o que contribuiu para enfraquecer as relações comerciais entre os dois pa­íses”, complementa.

Por este motivo, Gerson Mori acredita que a tendência futura seja de solidificação da Ásia como principal bloco econômico de destino das mercadorias da região de Bauru. Ainda que já esteja à frente do Mercosul, os países asiáticos ainda perdem para aqueles que compõem a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

No levantamento feito pelo Secex, são considerados membros do bloco Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Peru, Nicarágua e Panamá. A contabilidade das transações com Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela é incluída apenas no bloco do Mercosul.

África à frente

O Mercosul não perdeu espaço apenas para a Ásia, como também foi ultrapassada pela África entre os principais destinos de mercadorias exportadas pela região de Bauru. No ranking da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o primeiro lugar, em julho deste ano, era ocupado pela Aladi e o segundo, pela Ásia.

Depois aparecem, pela ordem, a África, o Mercosul e a União Europeia. Em julho do ano passado, o Mercosul ocupava o segundo lugar do ranking, atrás apenas da Aladi e à frente da África, Ásia e União Europeia.

Balança registra superávit

O saldo da balança comercial da região de Bauru registrou superávit nos sete primeiros meses de 2013, ante ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e julho de 2013, a diferença entre exportações e importações foi de US$ 68,437 milhões, valor 19% superior ao registrado em 2012, de US$ 57,585.

Já o volume de exportações cresceu 11%, saltando de US$ 117,985 milhões para US$ 131,122 milhões nos primeiros sete meses deste ano.

Paraguai: relações enfraquecidas

Mesmo após a eleição de um novo presidente, as relações do Paraguai com o Brasil devem continuar estremecidas. A posse de Horácio Cartes, há duas semanas, colocou fim à suspensão do Paraguai no Mercosul, medida imposta em razão do impeachment-relâmpago de Fernando Lugo, no ano passado, que foi entendido como golpe pelos países vizinhos.

A saída temporária tornou possível a adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul a partir do dia 31 de julho de 2012, inclusão até então impossível em razão do veto paraguaio. Mas, agora, é o Paraguai que ainda não quer voltar, por conta da presença da Venezuela. Se antes os paraguaios eram contra a entrada do governo venezuelano no Mercosul, a situação ficou ainda mais delicada, porque a Venezuela não só entrou, como agora está no comando do bloco.