De nome complicado e considerada doença rara, a síndrome de Charcoth-Marie-Tooth (CMT) é desconhecida da maioria das pessoas. Por este motivo, setembro foi escolhido o mês de luta para a conscientização da população e até mesmo da classe médica sobre a importância do diagnóstico preciso e tratamento adequado para minimizar os sintomas do problema.
Tomando como símbolo o laço azul, a campanha é desencadeada em todo o mundo com a promoção de uma série de atividades. Síndrome que não tem cura, a CMT é uma doença genética provocada por uma mutação no cromossomo 17. Esta alteração prejudica a condução dos impulsos elétricos do cérebro para o restante do corpo.
Assim, compromete a resposta motora e a sensibilidade principalmente das extremidades do corpo - mãos e pés. Com o tempo, os músculos destes membros, sem serem estimulados, tendem a sofrer atrofia.
Segundo o membro da Associação Brasileira dos Portadores de Charcot-Marie-Tooth (ABCMT), Sílvio Luís de Arruda, a doença acomete homens e mulheres, na proporção de uma pessoa a cada 2,5 mil. Considerando a população de Bauru, os enfermos seriam cerca de 145. “Mas, por desconhecimento até dos médicos, a maioria passa grande parte da vida sem saber que possui esta patologia”, frisa, com conhecimento de causa. Ele mesmo só obteve o diagnóstico há 14 anos, aos 35 anos de idade.
Vários graus
Os graus de CMT vão de nenhum sintoma a atrofias musculares severas, que podem até impedir a pessoa de andar. As manifestações iniciais do problema são perda de equilíbrio constante, dificuldade para andar, perda de sensibilidade, dificuldade para segurar objetos pequenos, escrever, desenhar ou fazer qualquer outro movimento delicado.
“A pessoa também não consegue fazer força com os pés e as mãos e tem fadiga. Num segundo estágio, há perda de massa muscular e atrofia articular, com surgimento de pé cavo e dedos em forma de garra”, completa.
O diagnóstico é feito inicialmente por análise de histórico familiar, seguido de eletromiografia para medição da atividade elétrica de membranas celulares. No último estágio, é feito exame de DNA, que é oferecido gratuitamente no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto.
Ainda não há tratamento medicamentoso para o problema. Os sintomas da síndrome são minimizados, basicamente, com fisioterapia ou exercícios físicos específicos, que precisam contar com a orientação de um neurologista após o diagnóstico correto.