10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Concorrência segura alta do leite

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Há 45 dias o consumidor vem sentindo no bolso os reflexos da entressafra que afetou, principalmente, a produção de leite. Nas prateleiras dos supermercados de Bauru, o litro de leite longa vida é comercializado a um preço médio de R$ 2,90. O valor, conforme a Associação Paulista de Supermercados (Apas), representou um aumento de até 37% nos últimos 12 meses. No entanto, ainda é um dos menores praticados por supermercadistas em todo o Estado, que têm comercializado o mesmo produto com valores acima de R$ 3,00.

“Bauru está abaixo da média por causa da concorrência acirrada entre os supermercados da cidade. Isso segura um pouco o desenvolvimento no ramo, mas acaba sendo positivo para o consumidor”, explica Émerson Svizzero, diretor regional da Apas.

O aumento do leite, consequentemente, “salgou” o preço dos produtos derivados como, por exemplo, o iogurte, o queijo, a margarina e o requeijão, mas conforme Svizzero, a diferença no valor final não chegou a 10%. “Esses produtos não dependem 100% do leite”, conclui.

Troca

Espantada com o preço do leite longa vida nos supermercados, a comerciante Marilda Costa, 69 anos, resolveu trocar o famoso leite de caixinha pelo de saquinho, que estava R$ 0,66 mais barato. “Sempre estou procurando as ofertas. Como não dá para ficar sem leite em casa, peguei alguns de caixinha e os outros de saquinho. Está muito caro”, critica a consumidora.

Motivos

Neste ano, a entressafra – de maio a agosto – foi apenas um dos fatores que contribuíram com a escassez do leite, provocando o consequente aumento do preço final ao consumidor pela “lei da oferta e da procura”.

“A inflação e a alta do dólar também influenciaram muito. O Estado de São Paulo já não é autossuficiente na produção de leite. E com a alta do dólar, o pouco produzido acaba sendo exportado”, ressalta Svizzero.

Outra questão pontuada pelo engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru, Sérgio Mitsuo Ishicava, é o encarecimento da atividade leiteira diante da necessidade de suplementação dos animais.

“Houve empobrecimento do solo em função da seca. Os pastos de Bauru e de toda região estão queimados. Para que a produção continue, o produtor acaba apostando na suplementação das vacas, o que eleva ainda mais o valor final do produto”, reforça o engenheiro agrônomo.


Estagnado

A média de preço atual, conforme o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados, Émerson Svizzero, deve permanecer estagnada até a primeira quinzena de outubro.

“É apenas uma previsão, pois dependemos da natureza e do mercado. Além disso, também tem o tempo de resposta. Se começasse a chover hoje, a diminuição do preço aconteceria só daqui 30 dias”, completa. Após a entressafra, a expectativa é de que a média de preços chegue a R$ 2,45.