09 de julho de 2026
Nacional

Lula critica EUA e diz que Obama deve desculpas a Dilma e ao Brasil

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Valter Campanato/ABr

Lula critica EUA e diz que Obama deve desculpas a Dilma e ao Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (5), que os Estados Unidos estão ameaçando a soberania do mundo e que o presidente norte-americano, Barack Obama, deve desculpas à brasileira Dilma Rousseff e ao Brasil.

O programa "Fantástico", da TV Globo, revelou no último domingo (1º) que Dilma foi alvo de espionagem e teve sua comunicação monitorada pelo governo dos EUA.

"A soberania dos Estados está sendo colocada em risco com o comportamento americano. Nós que passamos a vida inteira lutando por democracia, por soberania, não podemos admitir, sob pretexto nenhum, que um país fique tentando gravar, copiar e-mails, telefonemas de um país ou de um presidente da República, como fizeram com a Dilma", disse Lula após sair de um almoço com deputados estaduais do PT em um restaurante na zona sul de São Paulo.

"Acho que a resposta americana não pode ser via diplomacia, porque a espionagem não foi via diplomacia. Espionagem foi espionagem, então acho que cabe ao Obama humildemente pedir desculpas à presidenta Dilma e desculpas ao Brasil", completou o ex-presidente.

Lula não quis dizer se sua sucessora deveria cancelar a visita programada ao mandatário norte-americano em Washington, mas disse esperar que "Dilma dê um 'guenta' democrático no Obama".

O ex-presidente sugeriu que o Brasil estimule universidades e pesquisadores a criar um sistema de comunicação que permita a Dilma "passar um e-mail para a filha dela e não ter nenhum americano bisbilhotando".

O petista afirmou que os Estados Unidos não foram nomeados para atuar como "xerife do mundo" e que "os americanos passaram do limite do respeito à soberania dos países". "Se eles querem saber alguma coisa da Dilma, que perguntem", declarou.

Lula classificou como "vira-latas" brasileiros que apoiem a ação americana.

"A verdade é o seguinte: os americanos não suportam o fato de o Brasil ter virado um ator global. No fundo, no fundo, o máximo que eles aceitam é que o Brasil continue subalterno como sempre foi", concluiu o petista, que defendeu a criação de "mais instituições multilaterais" para diminuir a influência americana e o papel do dólar nas finanças internacionais.