09 de julho de 2026
Política

Servidores: maioria tem mais de 60

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A projeção de que o Brasil passará a ter em duas décadas população composta em sua maioria por idosos, ao contrário da atual maioria na faixa etária jovem, já é realidade no funcionalismo estadual, sobretudo entre os profissionais da educação, o que produz, desde já, reflexos diretos em políticas urbanas, saúde e previdência. Os dados são da Apeoesp e do Iamspe.

Enquanto a projeção dos estudiosos com base nos dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) advertem que o Brasil vai deixar de ser majoritariamente composto por jovens próximo de 2042, entre os funcionários estaduais já acontece o “envelhecimento”.

Segundo o Instituto de Assistência ao Servidor Público Estadual (Iamspe), o funcionalismo paulista conta com 467.162 pessoas com idade acima dos 60 anos, de um total de 728.588 assistidos pela unidade. A assessoria do órgão acrescenta que 459.172 servidores ainda estão na ativa, embora ou em condição de aposentadoria ou na iminência de. Os inativos somam 229.603 inscritos no Iamspe.

Para a coordenadora do Centro de Atendimento Médico Ambulatorial (Ceama), Sílvia Gorgone Zampieri, a composição etária majoritária a partir de 60 anos já é dado de política de gestão no Estado. “O que é alertado para o País, que o poder público tem de se preparar para direcionar suas políticas nas mais diferentes áreas para a mudança de perfil etário da população, já é fato no Estado. Em particular na área de assistência à saúde, o Iamspe é case que serve de parâmetro para o que terá de ser levado em conta em nível nacional”, situa.

A situação exige mudança de rota no planejamento de RH, reposição de mão de obra e atendimento à saúde, sem contar os efeitos previdenciários. Diretor da unidade do Ceama Bauru, o médico Alberto Segalla Júnior comenta o perfil de causa/atendimento. “Em razão da faixa etária em sua maioria a partir dos 50 anos, com ênfase para significativo contingente de 60 anos, temos um público mais voltado para o perfil da chamada terceira idade, onde os indicadores de saúde apontam mais casos de doenças relacionadas à hipertensão, diabetes, cardiologia e ortopedia”, pontua.

O médico lembra que o custo do cliente na assistência à saúde é maior no segmento. “O custo dos serviços de saúde são bem mais caros nesse sistema para esse público. E a isso pesa o fato de termos uma cultura do atendimento por diagnose. Os mais velhos exigem mais exames ao serem atendidos, ainda que os casos não tenham essa necessidade, porque foram acostumados a um sistema em que se o médico não pediu exame a consulta ou diagnóstico não foi realizado de forma completa. Essa distorção aparece na planilha de custo do sistema”, completa.

Na educação

Para a representante regional da Apeoesp, Idenilde de Almeida Conceição, o envelhecimento do funcionalismo estadual exige mudanças nas políticas públicas. “A Apeoesp acaba de concluir pesquisa sobre violência nas escolas e o ambiente de trabalho com problemas de estrutura, o stress e a violência estão entre as causas mais comuns de licença médica. No funcionalismo os mais afetados com essa realidade são os professores e os agentes penitenciários”, conta.

Idenilde argumenta que a situação não se deve ao envelhecimento da população em si, mas à falta de reposição de mão de obra. “Se você pegar o histórico de abertura de concursos no Estado, verá que o envelhecimento foi provocado por redução drástica na reposição da mão de obra. Sem isso, o quadro envelheceu muito mais rápido. O número de licenças é muito maior que a média de outros segmentos, um pouco em razão da idade e outra parte pelo nível elevado de stress a que é submetido o profissional. Isso custa mais caro para o Estado e mais caro para a população”, finaliza.

A terceirização de mão de obra em várias frentes, com a consequente venda de estatais em segmentos como energia elétrica (CPFL), banco (Banespa), e a transferência de gestão em setores como a Saúde (organizações sociais assumiram diversos hospitais), tem peso direto no envelhecimento da massa ativa do funcionalismo estadual nos últimos 20 anos.