08 de julho de 2026
Geral

Celular e TV a cabo no mundo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O custo e a qualidade dos serviços de telefonia celular e TV a cabo em várias partes do mundo são muito melhores que os práticados no Brasil. Não por acaso, por isso na terra descoberta por Cabral o número de reclamações é inversamente proporcional à satisfação em cidades de diferentes cantos do mundo.

É o que o JC apurou em contatos online com brasileiros e estrangeiros de cidades como Chicago (EUA), Houston (EUA), Santiago (Chile), Sydney (Austrália), Dublin (Irlanda), Cambridge (Inglaterra), Londres (Inglaterra), entre outras.

Luciana Franzolin acaba de retornar ao Brasil, tendo morado 10 anos em Londres (Inglaterra). Para ela, a melhor operadora por lá é a O2.

“O plano deles dá um iPhone 5 16 GB ou Samsung Galaxy S4. Sim, de graça. Os minutos para falar são ilimitados, inclusive para qualquer operadora de telefone fixo. O plano de 24 meses inclui Internet ao valor de 42 libras por mês (cerca de R$ 145,00 mensais). O telefone fixo é gratuito”, menciona.

Na capital inglesa, conta a jornalista, o contrato por 12 meses sem o oferecimento do aparelho celular, só o chip, tem incluso 100 minutos para qualquer operadora e fixo, SMS ilimitado e Internet a 8 libras por mês (R$ 27,00).

“Nunca tive problema com qualidade de sinal por lá, nem queda de ligação e quando precisei ligar para a operadora o serviço de atendimento foi prático e funcional”, opina.

Já a TV a cabo dos ingleses sai por 49,50 libras (ou R$ 170,00 mensais), com fibra ótica (100 MB), 225 canais (com 47 canais HD embutidos) e linha fixa de telefone sem limites para ligações para fixo e celular.

Já em Dublin, na Irlanda, a brasileira Kênia Gonçalves conta que existem quatro redes de TV, “todas horríveis, o que faz as pessoas terem TV a cabo como obrigação em casa a preço bem acessível. Um pacote simples sai por 20 euros. Os mais sofisticados chegam a mais de 100 euros. Os serviços de atendimento são muito bons”.

Mas em Dublin a telefonia celular tem problemas. Segundo Kênia, em uma breve pesquisa entre famílias com as quais convive, a reclamação foi sistematizada.

“O sinal costuma apresentar muito problema, embora o custo da ligação seja barato. As contas são bem explicativas ao consumidor”, conta. Curiosidade na Irlanda: para ter um aparelho de TV em casa o governo cobra taxa de 160 euros anuais.

O chileno Pablo Enrique, casado com uma bauruense no início deste ano, deixou a capital de seu país, Santiago, para morar com a esposa, e estudar em Sydney (Austrália).

“Há muito pouca corrência na TV a cabo aqui na Austrália, quase um monopólio liderado pela Foxtel. As redes de Internet são muito defasadas em termos de tecnologia e agora estão substituindo par de cobre trançado por rede de fibra ótica. Isso ainda encarece muito o custo na Austrália”, informa.

Comparando com Santiago, sua terra natal, Enrique cita que a centralização de mais de um terço da população do País na capital torna, por lá, a situação bem melhor para o consumidor.

“Há mais empresas no meio e dois grandes fornecedores, tornando o custo bem melhor do que encontrei aqui na Austrália”, opina.

Em relação à telefonia móvel, o chileno diz que a situação é semelhante entre os dois países.

“Na Austrália, a variedade de planos é maior e o serviço ao cliente é melhor. Mas a estabilidade e a qualidade das redes de celulares são melhores no Chile (Santiago). Na Austrália, são muitas vezes instáveis. Na Austrália há também número maior de opções e combinações de planos que se encaixam e customizam para vários segmentos da população”, acrescenta.

Na terra dos cangurus, conta, existem planos a preços muito baixos de telefonia celular.

“Usamos Optus a 5 dólares para 500 MB que duram um mês e 30 dólares para durar seis meses. Estes, na verdade, significam 30 dólares de crédito. É um pouco difícil de explicar, mas eu pago US$ 30 entregue e US$ 150,00 a chamar”, finaliza o chileno em terra australiana.


Banda larga brasileira

Enquanto o sinal de comunicação é interrompido e o custo do serviço continua entre os primeiros na lista dos mais caros do mundo, a Câmara Federal discute alternativas na Internet. Mas há divergências no segmento.

Empresas acham que o futuro da banda larga está nos dispositivos móveis, enquanto que a Telebras quer investir em redes de fibra ótica. O assunto foi debatido recentemente na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. O grupo analisa o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), conforme a Agência Câmara.

O presidente da comissão, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), vê equívoco no incentivo à banda larga móvel. Para ele, há aplicações que dependem de conexões mais seguras que as fornecidas na telefonia móvel. Ele acredita que somente uma rede de fibras óticas garantiria esse uso.

O deputado defende a revisão dos contratos de concessão das empresas de telecomunicações para que o serviço de banda larga seja oferecido com obrigações semelhantes às exigidas na telefonia fixa.

“As empresas estão muito focadas naqueles serviços que lhes dão maiores retornos. Tenho absoluta convicção de que os atuais contratos estão obsoletos. O serviço de voz vem decaindo. Essas redes instaladas são redes de fio de cobre que não cumprem mais a finalidade”, comentou.

À comissão, o presidente da Telebrás, Caio Bonilha, afirmou que o futuro do Programa Nacional de Banda Larga é investir em redes de fibra ótica.

“A proposta da Telebrás é preparar uma rede de altíssima capacidade e por conta disso estamos investindo pesadamente em infraestrutura de fibra ótica porque queremos atender todo mundo igualmente”, disse Bonilha.


Indenizar por perda de tempo

O jurista Pablo Storze estuda os efeitos da “embromação” e os prejuízos contra clientes no País praticado por prestadoras de serviços. Em um artigo ele discute: “As exigências da contemporaneidade têm nos defrontado com situações de agressão inequívoca à livre disposição e uso do nosso tempo livre, em favor do interesse econômico ou da mera conveniência negocial de um terceiro”.

Em seu artigo ele discute: “Na perspectiva mais difundida, “dinâmica”, o tempo é um “fato jurídico em sentido estrito ordinário”, ou seja, um acontecimento natural, apto a deflagrar efeitos na órbita do Direito. Em perspectiva ‘estática’, o tempo é um valor, um relevante bem, passível de proteção jurídica. Durante anos, a doutrina, especialmente aquela dedicada ao estudo da responsabilidade civil, não cuidou de perceber a importância do tempo como um bem jurídico merecedor de indiscutível tutela. O desperdício ‘injusto e intolerável’ poderá justificar eventual reparação pelo dano material e moral sofrido”, defende.