Uma importante discussão segue ainda nos bastidores. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) tem obrigação de só coletar lixo domiciliar. No entanto, por uma questão de comodidade, a empresa coleta além daquilo que é da sua competência, como o lixo de muitas empresas.
A coleta seletiva ainda tem problemas básicos como materiais encaminhados incorretamente para reciclagem. O ideal é que o saco para a reciclagem seja transparente para que o coletor consiga identificar rapidamente seu conteúdo. Infelizmente, a coleta seletiva ainda recebe animais mortos, seringas e agulhas.
Uma leitora do JC questiona que, para aplicar multas, a Prefeitura de Bauru tem um exército de fiscais. Já para manter a cidade limpa multando quem joga lixo no chão não há pessoal. No Lixo Zero, implantado no Rio de Janeiro, até a última terça-feira, 680 pessoas foram multadas. O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, não é adepto da aplicação da multa em Bauru, ainda que entenda que em cidades praianas seja uma medida necessária.
Mondelli está empenhado em uma empreitada delicada: convencer o cidadão comum e o empresariado da sociedade que reciclar é prioridade para Bauru. Não porque é bom, e sim porque não há outro caminho.
O modelo de aterro sanitário gigantesco está superado. Para o aterro deve ir o mínimo. Desde julho, a Emdurb usa a área de ampliação do aterro com vida útil estimada entre dois a dois anos e meio, caso Bauru continue mandando para o lixo diariamente 300 toneladas de rejeitos. Em 2007, eram 200 toneladas diárias recolhidas nas residências. Se a consciência de todos em relação ao descarte evoluir, o aterro poderá suportar até quatro anos.
Outra questão é que reciclar promove inclusão social e gera dinheiro. Em edição recente, o JC nos Bairros discutiu o problema das calçadas mantidas à margem da legislação municipal. Esta edição se propõe a instigar a reflexão do que cada bauruense fará com o seu lixo, de maneira responsável.
O preço do lixo
Conforme contrato entre a prefeitura e a Emdurb, o preço do serviço de coleta do lixo domiciliar é de R$ 93,26 por tonelada.
Do período que compreende a 20 de maio e 21 de agosto, foram coletadas 626,72 toneladas de resíduos recicláveis, o que gerou uma receita de R$ 58.448,14 para a Emdurb.
Cada ecolixeira, conforme resolução interna da empresa, custa R$ 25,00. Já pela varrição, conforme contrato junto à administração municipal, é cobrado R$ 47,50 por quilômetro linear.
A varrição
A varrição na cidade é dividia em setores de atendimento. Alguns são realizados pela Semma (setores nas regiões Centro, Sul e Norte) e outros pela Emdurb.
Na área central, por exemplo, a Emdurb possui 26 setores providos de 26 funcionários. Entre eles, um de licença e outros dois em férias.
Os atendimentos obedecem a um cronograma, com rotatividade média de 45 dias. Em locais de maior movimentação como, por exemplo, em avenidas movimentadas, Vitória Régia e em frente aos hospitais, são mantidas equipes volantes.