Muito se discute que o aterro sanitário de Bauru está para morrer. O aterro ganhou sobrevida quando, a partir de julho, começou a ser operada a área de prolongamento de 40 mil m² do atual aterro sanitário, com investimento do município em torno de R$ 1,2 milhão. O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Nico Mondelli, estima que o fôlego de vida útil do aterro chegue a dois anos e meio com a nova área. A projeção otimista, conforme Nico, é que a coleta seletiva propicie até quatro anos caso de vida útil ao aterro caso as medidas integradas obtenham sucesso em diminuir o volume atual de resíduos.
Nico revela que uma outra forma de ampliar a vida útil do aterro é a Emdurb coletar somente lixo orgânico domiciliar. Isso excluiria o lixo de comércio, indústria e empresas recolhidos pela empresa municipal. “Isso não caberia à Emdurb coletar”, define.
Atualmente, do setor privado são recolhidos em média 500 toneladas de lixo por mês. Ele esclarece que a Emdurb só não coleta lixo das grandes indústrias e empresas, supermercados e shoppings.
Nico defende a necessidade de definição do que obrigação da Emdurb em lei específica no Plano de Resíduos. Atualmente, a empresa municipal coleta resíduo orgânico de restaurantes como faz nas residências. O presidente da Emdurb cita que alguns municípios definem em lei que 200 litros de rejeitos não se caracterizam mais como lixo domiciliar. “Em outras coisas a gente pode ser mais maleável. Como empresas que não estão no Simples nacional. Não são ME e nem EPP. Essas automaticamente têm que pagar pelos seus resíduos. Você força a indústria a trabalhar junto as seus funcionários para reciclar mais lixo”, pontua.
Discussão
Neste ponto, o presidente da Emdurb mexe em um vespeiro. “Qual é a grande geradora de lixo na cidade de Bauru? Compete à prefeitura coletar isso? Está na hora de abrir essa discussão”, ressalta. No momento, o aterro sanitário de Bauru está muito próximo de fechar.
Nico lembra que a política de grandes aterros sanitários está superada. Ele lembra que, a partir do ano que vem, os aterros serão somente para rejeito, com tamanho similar à expansão feita no aterro da cidade. Nico defende que, se é para aterrar uma quantidade menor de resíduos, se faça prolongamentos. “Temos espaço para módulos dentro do aterro. Há possibilidades de expansão, mas nada grande mais. Porque a Política Nacional de Resíduos Sólidos fala em rejeito. Para ter rejeito no aterro tenho que diminuir a quantidade. Isso só reciclando e cai 50%. Resíduo verde (poda de árvores) vai muito para o aterro que temos que focar também um outro trabalho ”, define.
Novo aterro?
Nico ainda lembra que há uma área anexa ao aterro que era do Instituto Penal Agrícola (IPA) e com previsão para abrigar um novo aterro ou distrito industrial. Nico comenta que o pedido desta nova área está em fase de análise do Comando da Aeronáutica, órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) devido ao Aeroporto de Bauru.
Produção de lixo cresce
Se cada um dos 362.062 habitantes de Bauru fizer o que bem entende do lixo que produz, a situação será insustentável. Na realidade, a produção diária de lixo cresce e a solução é separar o lixo orgânico do que pode voltar para o mercado – logística reversa. Diminuindo o impacto do lixo, a Prefeitura de Bauru teria condições de investir recursos em outros setores. Atualmente, a situação é preocupante porque a população consome mais e o consumo gera uma infinidade de resíduos, grande parte de embalagens descartadas.
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Nico Mondelli, define que a produção de lixo domiciliar captado diariamente em Bauru cresce a uma taxa de 8% a 10%. Em 2007, se coletava diariamente 200 toneladas. Em 2010, 260 toneladas. Neste ano, a coleta domiciliar supera 300 toneladas a cada dia.
A tendência é inverter a lógica atual. Minimizando resíduos que vão para o aterro sanitário, que só receberá rejeitos orgânicos. A população terá que assumir que para haver futuro é necessário reciclar agora. Reciclar é investir na coleta seletiva de lixo em Bauru. Nico entende que a tendência para o futuro é a Emdurb investir na aquisição de caminhões para a coleta seletiva e menos de coleta orgânica. O presidente da Emdurb inicia uma discussão com o setor supermercadista, representado pela Associação Paulista dos Supermercados (Apas), para fechar uma parceria. Segundo Nico, a ideia é que os supermercados recebam do consumidor os recicláveis e dê uma destinação, já que tem relação direta com os fabricantes. O presidente da Emdurb comenta que o supermercado pode oferecer uma compensação ao consumidor em forma de crédito que poderá ser utilizada em compras. A iniciativa fideliza o cliente e aumenta a reciclagem no município. Nico acrescenta que essa proposta se insere em uma tendência mundial, como a que define créditos de reciclagem em troca de transporte coletivo.
Os cooperados poderiam estar nos supermercados coletando e separando os materiais. “O supermercado pode ser um ponto de recebimento e ele tem os contatos com as empresas produtoras. A Coca-cola recebe latinhas, separadas por cooperados. Ela busca e paga para a cooperativa e uma percentagem vai para o supermercado”, sugere Nico.
Recicladora
Melhorias na central de reciclagem onde atua a Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cootramat) estão em fase de implementação. Nico explica que a ideia é transformar a cooperativa em uma área também para educação ambiental, também para visitação. A Incubadora de Coopeerativas (Incoop) da Unesp em Bauru obteve R$ 170 mil do Programa de Desenvolvimento Regional do Banco do Brasil para aquisição de equipamentos – já comprou empilhadeira, entre outros equipamentos – para utilização dos cooperados.
A Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes), por intermédio do Cras, também busca mão de obra para trabalhar com reciclagem, no sistema de inclusão social. A Cootramat é uma empresa que precisa de mão de obra. Outra alternativa encontrada, conforme Nico, também capta trabalhadores interessados em se cooperar disponibilizando vagas no sistema Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). O presidente da Emdurb comenta que um cooperado pode chegar a tirar até R$ 1.000,00.
Triplo
Triplicou o volume de lixo reciclável recolhido com a expansão da coleta seletiva em Bauru. Quando a cooperativa não der conta de processar todo o volume, o material será encaminhado para pequenas empresas que trabalham com material reciclável em Bauru. A empresa pagará pelo material. A medida evita encaminhar recicláveis para o aterro sanitário, como ocorre atualmente. Além disso movimenta o mercado de reciclagem.
Acompanhe no infográfico alguns pontos do projeto de Coleta Seletiva Solidária da Emdurb que integra melhorias na central de reciclagem onde opera os cooperados da Cootramat.
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