08 de julho de 2026
Internacional

Assad nega uso de armas químicas

Agências
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O ditador sírio, Bashar al-Assad, negou ter envolvimento com os ataques químicos de 21 de agosto na periferia de Damasco, capital do país, em entrevista ao jornalista Charlie Rose, das redes de TV norte-americanas CBS e PBS, realizada ontem de manhã.

Essa foi a primeira entrevista de Assad a uma rede de TV dos Estados Unidos em quase dois anos.

A conversa ocorre em momento de crescente tensão em relação à guerra civil que assola a Síria desde 2011. Hoje, o Congresso dos EUA vota a intervenção militar na região, defendida pelo presidente Barack Obama.

Rose contou à CBS que Assad sequer reconheceu que se tratou de um ataque químico e que, apesar do que foi dito e dos vídeos veiculados sobre o ataque, “não há evidências para fazer um julgamento conclusivo”. Assad ainda disse não haver lógica em utilizar armas químicas em área onde o próprio Exército sírio está presente. “Há soldados feridos por esse ataque, como os inspetores da ONU puderam conferir”, disse.

Segundo o jornalista, o ditador reiterou o que o que já tinha dito em entrevista ao jornal francês Le Figaro, na semana passada, que não pode negar ou confirmar que seu Exército possui armamentos químicos.

“Se tivermos, e não estou dizendo que temos, elas estão sobre controle centralizado, ninguém tem acesso a elas”, disse Assad. Confrontado sobre a possibilidade de um ataque iminente dos EUA, o ditador disse não saber o que acontecerá, mas afirmou que está preparado “como se pode estar”.

A entrevista à Rose, que terá trechos exibidos hoje de manhã pela CBS e será veiculada na íntegra pela PBS à noite, foi realizada no Palácio Presidencial em Damasco. “Ele estava calmo e a cidade parecia relativamente calma”, contou o jornalista.


Jornal alemão

Forças do governo sírio podem ter feito o ataque com armas químicas perto de Damasco em agosto sem a permissão do presidente Bashar al-Assad, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal alemão Bild am Sonntag, citando a inteligência alemã.

As forças sírias haviam pedido ao governo permissão para usar armas químicas nos últimos meses, de acordo com mensagens de rádio interceptadas por agentes alemães, mas tal permissão tinha sido sempre negada, diz o jornal.