09 de julho de 2026
Articulistas

O insensível cidadão do Sambódromo

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

E, assim como ele, deveria haver dezenas naquele espaço cívico e há milhões por este país. Os milhares de espectadores que estiveram presentes ao desfile do Dia da Pátria no Sambódromo, empolgados assim como eu, aplaudiam entusiasticamente todos aqueles que galhardamente desfilaram, imbuídos do maior respeito, responsabilidade, devoção e espírito cívico, compenetrados da homenagem que estavam prestando à Pátria. Militares, representantes de clubes de serviços, alunos, fanfarras, crianças da mais tenra idade das escolas maternais acompanhadas dos seus guias e professoras, todo o aparato militar, religiosos e muitos participantes que foram responsáveis por momentos de emoção e muitas vezes levavam às lágrimas; assim foi o desfile.

E lá estava ele, acompanhado de esposa e filha, insensível, frio, enquanto a maioria vibrava com admiração e aplausos. Para ele, de aparência robusta e de meia idade, tudo aquilo nada significava e significou, foi um fato comum como uma movimentação para compras na Rua Batista de Carvalho. O que me levou a perceber sua frieza assim como a de outros que estavam próximos foi a belíssima e épica cerimônia do hasteamento das três bandeiras, Nacional, do Estado de São Paulo e do Município sob os acordes do Hino Nacional. A maioria, como se esperava, se levantou e se descobriu dos seus bonés e chapéus e lá estava o cidadão, indiferente, como se esperasse o desfile de uma escola de samba. Certamente ele, como muitos, desconhece o trabalho programado e cansativo do preparo de um desfile pomposo e tocante como aquele, como é trabalhosa a locomoção daquelas crianças que tiveram que acordar muito cedo para lá desfilarem. E refletindo sobre o comportamento desse cidadão a mim desconhecido, pensei sobre a mensagem e o exemplo que ele e está dando à sua filha.

E assim como ele há milhões em nosso país que ainda não se conscientizaram da importância e privilégio de nascermos neste abençoado Brasil. E, inegavelmente, só há um meio de se conscientizar um povo, através da educação, não apenas se pensando em escola, mas sim em toda a sua abrangência e diversidade.

Professor Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABLetras