08 de julho de 2026
Nacional

Fraudes envolvem Ministério do Trabalho

Folhapress
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A Polícia Federal (PF) desarticulou ontem um esquema de desvio de recursos públicos centrado em verbas do Ministério do Trabalho. Por ordem da Justiça Federal, o secretário-executivo da pasta, Paulo Roberto Pinto, foi ouvido pela PF em Brasília, sendo liberado em seguida. Ele é suspeito de participar das fraudes em apuração.

Foram presas 22 pessoas, ontem. Outras 11 foram conduzidas mediante ordem judicial.

A suspeita da PF e da Controladoria Geral da União (CGU) é que a fraude tenha desviado R$ 400 milhões, valor liberado nos últimos cinco anos para o Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) de Belo Horizonte que presta serviços de qualificação profissional para jovens e adultos desempregados.

A entidade atua em 11 Estados e no DF. O presidente, Deivson Vidal, foi preso. Na casa dele, em Nova Lima (MG) a PF apreendeu carros, dinheiro, joias e m helicóptero.

Foram realizadas buscas também na sede do ministério, em Brasília. A entidade teria fraudado convênios de cursos e serviços de transporte de jovens, cobrando por trabalho que não foi prestado.

“O então secretário-executivo (Pinto) atuava facilitando a atuação investigada no ministério de modo a excluir, inclusive, a Oscip do cadastro de inadimplentes e permitindo que prestações de contas pudessem ser feitas sem a devida precaução”, disse o delegado Marcelo Freitas.

Funcionário do Banco do Brasil e filiado ao PDT, Pinto, 41 anos, chegou à pasta como assessor especial em 2007. Em três anos, assumiu a secretaria-executiva, transformando-se num dos principais aliados do então ministro Carlos Lupi, que deixou o posto sob acusações de irregularidades em 2011. Número 2 do Trabalho, Pinto chegou a responder como ministro por alguns meses.

Na semana passada, outra operação da PF resultou na prisão de um assessor do ministério. A acusação era de desvio de R$ 47,5 milhões em convênios com a ONG Centro de Atendimento ao Trabalhador, de São Paulo.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também foi alvo da operação de ontem, já que recursos repassados pela União para o chamado sistema “S” (Sesc, Senai, etc) também foram usados de forma supostamente ilegal pelo IMDC.

Um empresário que presidia a comissão de licitação da Fiemg foi preso e Simone Vasconcelos, ex-diretora da agência de publicidade de Marcos Valério, operador do mensalão, foi conduzida para depor.