10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

No meio do caminho havia uma faixa de pedestre


| Tempo de leitura: 2 min

Moro na região do Jd. Ferraz há alguns anos. Como muitos sabem, aqui existem dois supermercados tradicionais. Entre um desses mercados e o respectivo estacionamento existe uma faixa de pedestres. Trabalhei alguns anos na Zona Sul e lá também existe um outro supermercado, no qual também existe uma faixa nos mesmos moldes do Jardim Ferraz. Entretanto, embora nas mesmas condições, as duas faixas causam reações bastante diferentes nos motoristas: em uma todo mundo calmante aguarda os pedestres passarem e a outra parece simplesmente invisível diante dos olhos dos motoristas bauruenses.

Acredito que todos saibam em qual eles param e em qual eles não param, mas para ter certeza de que a mensagem ficará clara, vou explicar: uma faixa é  invisível e na outra motoristas educados e pedestres que podem passear na faixa enquanto a atravessa, pois sabem que os motoristas estarão aguardando a sua travessia.

 Desde muito jovem questiono-me sobre a razão de existirem tantas diferenças sociais, raciais e de gênero. Já culpei diversos atores da sociedade: empresários, mídia, políticos. Mas observando as duas faixas que simplesmente encontram-se alocadas em bairros diferentes, creio que as diferenças existem por um simples fato:  todos os homens geram as desigualdades.

Somos humanos discriminatórios, que instintivamente enxergamos e agimos em função das diferenças. Não adianta gritarmos, bradarmos por uma sociedade justa e igualitária quando tratamos semelhantes de formas desiguais.

Afinal, somos "nós" e mais ninguém que votamos e elegemos quem nos representa. E são por essas atitudes, como tratar faixas de pedestres de forma diferentes, conforme a classe social daqueles que atravessam por elas, que concluo que estamos sendo representados por pessoas que na verdade são bem semelhantes a nós. Vamos pensar mais alto e nos colocarmos na situação de que somos na verdade: iguais. Independentemente da classe social que pertence  e sua posição na sociedade, todos são iguais.

Aliás, nunca encontrei alguém que não tivesse vindo e terminado biologicamente igual a todos. Com exceção de Jesus Cristo, nunca ouvi falar de ninguém que tivesse em seu óbito um fim diferente. Vamos pensar a respeito...

Nataly Carolina Lovison Souto