Investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de participação em esquema de desvio de recursos públicos, o secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Paulo Roberto Pinto, pediu demissão ontem. Roberto Pinto se reuniu com o ministro Manoel Dias antes de tomar a decisão de deixar o cargo. Roberto Pinto era o segundo na linha sucessória do ministério e chefiou a pasta interinamente nos primeiros meses de 2012.
A PF deflagrou anteontem a operação Esopo para apurar esquema de fraude em licitação, superfaturamento de contratos e desvios de recursos públicos que pode ter movimentado cerca de R$ 400 milhões.
Segundo investigadores, esse valor foi liberado nos últimos cinco anos para o Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), uma Oscip de Belo Horizonte que presta serviços de qualificação profissional para jovens e adultos desempregados.
A entidade atua em 11 Estados e no Distrito Federal. O presidente do IMDC, o empresário Deivson Vidal, foi preso e teve carros, dinheiro, joias e um helicóptero apreendidos. Foram realizadas buscas também no 3 andar do Ministério do Trabalho, em Brasília.
O secretário-executivo do Ministério do Trabalho foi um dos alvos da operação. Roberto Pinto foi levado anteontem para prestar depoimento na Superintendência da PF em Brasília. Em seguida, foi trabalhar normalmente na sede do ministério.
Irregularidade em qualquer lugar
Defendendo o PDT, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, afirmou ontem, em coletiva à imprensa para comentar suspeitas de desvio de recursos públicos, que “irregularidades tem em qualquer lugar e não só (nesse ministério)”.
Dias afirmou que “não há nenhuma comprovação de que o trabalhismo exercido no MTE tenha praticado atos indecorosos, de corrupção, que contraria a boa prática de zelar pelos recursos públicos”. “Insinuações existem sempre mas até hoje não há um processo que incrimine os nossos companheiros. Somos um partido ficha limpa.”
Segundo o ministro Dias, três convênios foram firmados com o Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC) após repasses do Ministério do Trabalho - um com o Espírito Santo, outro com o Ceará e um terceiro com o município de Serra, no ES. Dias sugeriu que esses convênios sejam suspensos.
O ministro comentou também a demora da saída do secretário-executivo da Pasta, Paulo Roberto Pinto, apontado pela Polícia Federal como facilitador do esquema e que deixou o cargo somente nesta tarde. “Entendi que precisava amadurecer um pouco mais por se tratar de um cargo importante. Nós temos que ter o mínimo de respeito com as pessoas”, afirmou Dias.